POLÍTICA
Deputadas repudiam morte de bebs na porta de frigorfico em MT
Enquanto a bancada federal de Mato Grosso, uníssona na defesa da vida desde a sua concepção, segue em silêncio a respeito do caso de uma trabalhadora venezuelana de 32 anos que entrou em trabalho de parto e perdeu as filhas gêmeas na portaria de um frigorífico da BRF – Brasil Foods S/A, em Lucas do Rio Verde (354 km de Cuiabá), durante o expediente, a deputada federal Sâmia Bomfim (Psol-SP), usou as redes sociais para não apenas lamentar o caso e fazer um alerta sobre “trabalho escravo” na sociedade.
“Acho que essa notícia não deve passar despercebida assim pela gente, deve nos fazer refletir, no mínimo, sobre a brutalidade do que é a dinâmica do trabalho no Brasil, que está mais próxima de uma lógica de escravidao, era uma trabalhadora imigrante venezuelana que estava no nosso país trabalhando e simplesmente foi impedida por uma empresa multinacional, bilionária”, comentou nesta segunda-feira (30) em seu Instagram.
O caso aconteceu em abril de 2024, quando a trabalhadora, grávida de oito meses, começou a se sentir mal no início da jornada, às 3h40. Com dores intensas, ânsia de vômito, tontura e falta de ar, ela buscou socorro junto à sua líder imediata e ao supervisor. Mesmo após insistentes pedidos, foi impedida de deixar o setor devido ao funcionamento da linha de produção.
Pouco depois, com o agravamento do quadro, dirigiu-se ao supervisor pela última vez e, sem conseguir esperar mais, deixou a linha de trabalho. Sentou-se em um banco no ponto de ônibus na entrada da empresa, na esperança de conseguir condução para ir ao médico. No entanto, já estava em trabalho de parto: sua primeira filha nasceu na portaria da empresa, por volta das 6h30, e faleceu em seguida. Minutos depois, o mesmo ocorreu com a segunda gêmea.
A sentença da 2ª Vara do Trabalho de Lucas do Rio Verde determinou que a empresa pague R$ 150 mil de indenização pelos danos morais, além das verbas rescisórias, após reconhecer a rescisão indireta do contrato de trabalho. A BRF, responsável pelas marcas Sadia, Perdigão, Qualy, Perdix, Confidence, Banvit e Hilal, recorre da decisão e tenta “culpar” a trabalhadora.
Isso porque alega que o parto ocorreu fora das dependências da unidade, em área pública, que a funcionária teria recusado atendimento médico interno e que não havia registro de gravidez de risco. Disse também que a suposta negligência partiu da própria trabalhadora, ao argumentar que um trabalho de parto geralmente leva entre oito e 12 horas.
“O que são R$ 150 mil para uma empresa dessas, o que é esse dinheiro diante do absurdo, da violência, do trauma e do descaso com a vida dessa trabalhadora? Não é possível que a gente normalize esse tratamento, esse tipo de trabalho no nosso país e no mundo inteiro isso precisa acabar, a sociedade faliu completamente quando esse tipo de coisa é normalizada”, criticou Sâmia.
SILÊNCIO – Até o momento, nenhum dos deputados federais mato-grossenses, que em sua maioria se dizem “pró-vida” e defensores de crianças desde quando elas são geradas, comentaram sobre o caso. Já na bancada estadual, a única deputada mulher, Janaína Riva (MDB), se manifestou. Ela criticou a naturalização da “barbárie” e classificou o ato como “estarrecedor”.
“A notícia dessa mãe que perdeu suas duas filhas na porta de uma multinacional me revolta profundamente. Ela estava grávida de gêmeas, em trabalho de parto, e ainda assim foi ignorada. Essa tragédia escancara a frieza com que muitas empresas ainda tratam mulheres grávidas, como se uma vida não fosse digna de respeito, acolhimento e proteção. R$ 150 mil foi o valor da indenização por danos morais que a empresa teve que pagar a essa mãe. Até quando a vida das mulheres — e das crianças — vai valer tão pouco?, questionou.
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