SAÚDE
Novo teste genético prevê resistência do câncer à quimioterapia
O método funciona analisando alterações na ordem, na estrutura e no número de cópias do DNA do tumor, um padrão conhecido como instabilidade cromossômica. A partir da leitura completa da sequência de DNA, o teste identifica se os cromossomos estão rompidos ou alterados, em comparação com células saudáveis.
A ferramenta permite prever a resistência a três quimioterápicos amplamente usados: os tratamentos à base de platina, antraciclina e taxano. A pesquisa foi publicada nessa segunda-feira (23/6).
Como a tecnologia funciona?
Apesar de salvar vidas, a quimioterapia também afeta células saudáveis e pode severos. Por isso, o novo teste tem como objetivo ajudar médicos a evitar que pacientes recebam tratamentos que não trarão resultado, reduzindo a toxicidade e os impactos físicos do processo.
A tecnologia foi projetada para ser integrada à rotina clínica. Ela usa materiais já coletados no diagnóstico e se baseia em métodos consolidados de sequenciamento genético.
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A partir dos dados do DNA, os pesquisadores identificam padrões de mutações que estão ligados aos mecanismos que tornam o câncer resistente a certos medicamentos.
“Nossa tecnologia dá sentido ao caos genômico observado em muitos tumores tratados com quimioterapia. Ela associa padrões de mutação aos mecanismos que causaram o dano, o que permite prever a resistência à ação das quimioterapias”, explica Geoff Macintyre, coautor do estudo e pesquisador do CNIO, em comunicado.
Personalização do tratamento
A ferramenta foi testada com dados de 840 pacientes diagnosticados com diferentes . A partir das informações genéticas, os cientistas classificaram os pacientes como sensíveis ou resistentes à quimioterapia.
Depois, simularam a troca de medicamentos para verificar quanto tempo o câncer levaria para parar de responder ao novo tratamento. Essa abordagem imitou um ensaio clínico, sem que os pacientes precisassem mudar de terapia na prática.
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A expectativa dos pesquisadores é que, no futuro, a ferramenta permita personalizar o tratamento desde o diagnóstico, ajudando a escolher os quimioterápicos mais eficazes para cada paciente e evitando terapias que não teriam efeito.
“Era importante para nós criar um teste que pudesse ser facilmente adotado na clínica, usando o material que já coletamos durante o diagnóstico”, afirma Ania Piskorz, chefe de Genômica do Cancer Research UK Cambridge Institute.
Os cientistas destacam que, embora a quimioterapia seja um pilar fundamental no combate ao câncer, há décadas ela é administrada da mesma forma, sem considerar se o tumor de fato responderá ao medicamento. A nova tecnologia pode mudar esse cenário, tornando o tratamento mais preciso e eficiente.
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