OPINIÃO

A Rosa de Paris | FOLHAMAX

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Maria Violeta Arraes de Alencar, ou apenas Violeta Arraes, nasceu em 5 de maio de 1926 em Araripe/CE, e faleceu em 17 de junho do ano de 2008 (Rio de Janeiro). Socióloga, professora, psicanalista e ativista política brasileira, se dedicou sobremaneira à cultura.  

Nas décadas de 50 e 60, residindo em Recife, Violeta participou do Movimento de Educação de Base. Posteriormente, colaborou com Dom Helder Câmara no Secretariado Nacional de Ação Católica, e com Paulo Freire no Movimento de Cultura Popular. Contribuiu com o Cinema Novo, e com o mundo artístico e literário brasileiro. 

Presa durante o golpe militar de 64, foi expulsa do país com a família, quando passou a residir na França. O seu apartamento em Bois de Boulogne adveio em abrigo para os perseguidos e perseguidas pela ditadura. Foi como psicoterapeuta que ajudou pessoas traumatizadas pela tortura, o que lhe rendeu o apelido de “Rosa de Paris”.  

A militante teve atuação primordial nas denúncias dos crimes contra os direitos humanos cometidos durante o período ditatorial. Artistas e intelectuais tinham na casa da socióloga o refúgio, durante a perseguição militarista. Exilados chilenos também se aglutinaram em torno de Violeta, assim como o movimento anticolonialista de Angola, Moçambique e da Guiné-Bissau. Pela doçura e caridade com a qual movia a sua trajetória, também foi conhecida como “senhora dos encontros”, com o apadrinhamento de artistas e promotora da arte, mesmo em tempo de exceção.   

No ano de 1979, Violeta foi convidada a trabalhar na embaixada brasileira da França, quando teve a possibilidade de laborar pela Exposição de Arte Popular Brasileira e no Museu de Arte Moderna, divulgando a arte e a cultura do Brasil.   

Violeta também atuou pelo Direito Ambiental, na criação e instalação da Fundação Araripe, no município de Crato, para a preservação da Chapara Araripe, que abriga a primeira Floresta Nacional do Brasil, nos estados do Ceará, Pernambuco e Piauí. 

A militante entendia que o combate às desigualdades e injustiças só seria possível através da cultura e da educação. A história deve muito a pessoas como ela, que, com toda certeza, pagou caro pelo ideal carregado até o fim dos seus dias. 

Em artigo sobre a homenageada, publicado na Revista Cariri, e que recebeu o nome de “Como falar de uma flor”, foi utilizado o seu nome de batismo à metáfora da flor, desenhando-se a respectiva atuação, que foi o suficiente para o florescimento em Cariri. O texto mostra como ela conseguiu florescer em sua atuação, que desabrochou e contribuiu para o fortalecimento acadêmico e cultural.  

A URCA, Universidade Regional do Cariri, dedicou a ela o Centro de Artes Reitora Maria Violeta Arraes Alencar, que se perfaz em lugar de promoção da arte contemporânea, guardando o devido espaço para as artes visuais e memória.   

Muitos diziam que Violeta simbolicamente trazia consigo a delicadeza, a beleza e a resiliência. Mas, ela alcançou “licença poética” em termos de conhecimento, identidade, pertencimento e fortalecimento dos territórios por onde passou.   

A história recente do Brasil se confunde com as próprias vivências dela! Madre Teresa de Calcutá foi precisa: “Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota”. 

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual e mestra em Sociologia pela UFMT, do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso – IHGMT -, membra da Academia Mato-Grossense de Direito – AMD – Cadeira nº 29. 





Fontee: Folhamax

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