OPINIÃO

Doenças negligenciadas em Mato Grosso: o invisível que ameaça a todos!

Published

on


ROGERIO NUNES.jpg

 

Mato Grosso, conhecido por sua biodiversidade e força econômica, convive com uma ameaça silenciosa e crescente: o avanço das doenças negligenciadas. Essas enfermidades, pouco abordadas pela indústria farmacêutica, afetam principalmente populações em situação de vulnerabilidade social. Embora provoquem sofrimento, incapacidades e até mortes, essas doenças seguem invisíveis aos olhos do grande público apesar de políticas de saúde aprimoradas.

As doenças negligenciadas mais comuns no estado incluem hanseníase, leishmaniose, dengue e chikungunya. São condições que persistem especialmente em locais com baixa cobertura de saneamento básico, desmatamento acelerado, urbanização desordenada e acesso limitado a serviços de saúde. Esses fatores, somados à falta de informação, criam um cenário propício à proliferação dos vetores que transmitem essas doenças.

Nos últimos anos, dados apontam um aumento preocupante de casos em diferentes regiões mato-grossenses. A leishmaniose, por exemplo, transmitida pelo mosquito-palha, deixou de ser restrita a áreas rurais e passou a atingir centros urbanos, inclusive bairros populosos. Já a hanseníase — uma enfermidade milenar e com cura disponível — ainda é diagnosticada tardiamente, o que leva a sequelas físicas permanentes e à manutenção da cadeia de transmissão.

Esse cenário se agrava quando observamos a dificuldade de acesso a unidades de saúde em regiões remotas. Muitas pessoas desconhecem os sintomas iniciais dessas doenças e não recebem o atendimento adequado a tempo. O resultado é um ciclo contínuo de adoecimento, agravamento de casos e aumento da sobrecarga no sistema público de saúde.

Vale destacar que o avanço das doenças negligenciadas não afeta apenas os indivíduos atingidos. Ele compromete a saúde coletiva, impõe custos elevados ao sistema de saúde, prejudica o desenvolvimento humano e evidencia desigualdades sociais que ainda persistem no estado. A omissão diante dessas doenças é, também, um reflexo da invisibilidade de comunidades inteiras que vivem à margem da atenção pública.

Diante desse quadro, é urgente que a população esteja informada e envolvida. A informação é o primeiro passo para a prevenção. Conhecer os sintomas mais comuns, buscar atendimento médico ao menor sinal de suspeita, exigir saneamento básico, colaborar com o controle de vetores (como o combate aos criadouros de mosquitos) e apoiar pesquisas e projetos de combate a essas doenças são atitudes fundamentais para mudar essa realidade.

O crescimento das doenças negligenciadas em Mato Grosso é um alerta que exige ação coletiva. Cuidar da saúde da nossa população passa por reconhecer esse problema, investir em soluções estruturais e fortalecer a consciência social. Juntos, podemos construir um estado mais justo, saudável e preparado para enfrentar os desafios invisíveis que ainda assolam muitos mato-grossenses.

Rogério Nunes possui graduação em Farmácia-Bioquímica (1997) e doutorado em Farmacologia de Produtos Naturais e Sintéticos Bioativos (2012), ambos pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Atua nas áreas de ensino, pesquisa e desenvolvimento de projetos de inovação tecnológica. É professor adjunto da Universidade Estadual de Mato Grosso (UNEMAT) e, atualmente, exerce a função de coordenador do Parque Tecnológico de Mato Grosso.





Fontee: Folhamax

Comentários
Continue Reading
Advertisement Enter ad code here

MATO GROSSO

Advertisement Enter ad code here

POLÍCIA

Advertisement Enter ad code here

CIDADES

Advertisement Enter ad code here

POLÍTICA

Advertisement Enter ad code here

SAÚDE

As mais lidas da semana