POLÍTICA

Dirceu diz que Lava Jato e impeachment tiraram o PT do governo

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O ex-deputado federal José Dirceu (PT-SP) disse que o PT só não governa desde 2002 sem interrupções por causa do “golpe de 2016”, em referência ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), e da operação Lava Jato, que prendeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2018.

A fala foi durante o discurso de Dirceu na festa de comemoração de seu aniversário, na noite desta 3ª feira (11.mar.2025), no Contexto Bar e Restaurante, no Setor de Clubes Esportivos Sul, em Brasília.

Para Dirceu, houve um rompimento do “pacto político democrático” em 2016, no impeachment de Dilma, e com a Lava Jato. “Sonham com o Brasil de Trump e de Milei para romper o pacto social. Nós somos herdeiros dessas lutas (dos trabalhadores), e nós temos uma responsabilidade histórica”, declarou.

O ex-deputado afirmou que o país está com a “soberania ameaçada”. “O momento que nós vivemos no mundo é um momento que os temores da guerra estão batendo como nas décadas de 20 e 30, que o fascismo da extrema direita vai tomando governos de vários países”, disse.

O petista ainda citou o apoio de bolsonaristas ao presidente estadunidense Donald Trump. “Vão aos Estados Unidos pregar a traição nacional, a intervenção dos Estados Unidos, das big techs nos assuntos nacionais”, afirmou.

O PT trabalha para barrar Eduardo Bolsonaro (PL-SP) da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados por causa da atuação do deputado nos Estados Unidos pela aprovação da lei que pode atingir o ministro do STF Alexandre de Moraes.

Dirceu ainda criticou a possível candidatura a presidente do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como alternativa ao bolsonarismo. “Na verdade, ele é o próprio Bolsonarismo”, disse.

O petista também falou da eleição de 2026 e disse que a estratégia para que a esquerda vença é “governar agora”. Para ele, Lula governa em minoria e citou o fato do PL ser a maior bancada da Câmara.

Dirceu falou por 12 minutos, mas não mencionou a sua possível candidatura a deputado federal em 2026. No entanto, defendeu uma reforma política no país. 

Para ele, será necessário unir os partidos. “Não é apenas a federação do PT, PCdoB e do PV não. Nós precisamos do Psol e da Rede, do PDT, PSDB, precisamos de todos juntos”, disse, ao citar partidos de esquerda.

Na avaliação do petista, há uma tentativa da direita de trazer os Estados Unidos para a eleição brasileira. “Por isso é ainda mais necessário que tenhamos essa primeira tarefa de unir todos os nossos partidos, segundo, de apoiar o governo e, terceiro, de se preparar”, disse.

Dirceu reforçou sua defesa de mudança no “sistema eleitoral brasileiro” e criticou a regra constitucional que determina que as bancadas estaduais tenham o mínimo de 8 deputados e máximo de 70. 

Seu Estado, São Paulo, já atingiu o máximo, enquanto o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), trabalha para aumentar a Câmara com 14 novas cadeiras para Estados que cresceram no Censo de 2022.

“Nós precisamos pensar em um sistema político-eleitoral e em uma radicalização da nossa democracia, numa profunda reforma. É preciso uma revolução político cultural e é essa batalha que nós temos perdido”, afirmou.

O ex-deputado disse que, mais que seus 79 anos de idade, a festa marca seus 60 anos “de luta”. “É uma homenagem para nós que ainda estamos aqui, porque, na verdade, é uma festa da minha geração, de 1968, e eu falo 60 anos porque em 1965 eu comecei a lutar contra a ditadura militar”, afirmou, em referência ao filme “Ainda Estou Aqui“, que conta a história do ex-deputado Rubens Paiva, vítima do regime.

Dirceu criticou a percepção que se reproduz de que a população brasileira é “de direita” ou conservadora. “Vamos lembrar que o Brasil que vivemos hoje tem 120 anos, é muito recente”, disse.

Para o petista, é necessário reconquistar a classe trabalhadora. “Mudar profundamente nossas organizações populares sindicais, entender qual o mundo é o país que nós vivemos. Porque a classe trabalhadora está sendo disputada e uma parcela dela vai aderir ao liberalismo econômico, ao conservadorismo e ao fundamentalismo religioso”, declarou.

Para ele, não há “dúvida” de que a esquerda conseguirá “sustentar o governo Lula”. “Nós fomos capazes de tirar o Lula da prisão e elegê-lo presidente, seremos capazes de novo de sustentar o governo Lula, fazer essa disputa político-cultural e vencer em 2026″, afirmou.

Apesar de não ter confirmado sua candidatura, o petista ouviu de uma pessoa na plataia: “Dirceu deputado federal”. O partido trabalha para que nomes históricos como o dele e de Delúbio Soares, ambos enquadrados no mensalão, disputem cargo na Câmara em 2026.



Fonte: Só Notícias

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