POLÍTICA
‘Barões do agro’ em MT escapam de ações por financiar golpismo
Na semana em que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, abriu a fase de alegações finais do processo contra o núcleo central da trama golpista no país, um relatório intitulado ‘agrogolpistas’ revela que os líderes do agronegócio de Mato Grosso, que atuaram e financiaram atos antidemocráticos, escaparam das ações penais concentradas pela Corte Suprema. Entre os principais nomes está do ex-presidente da Aprosoja Brasil, Antônio Galvan, e o ‘clã Bedin’, que segundo o levantamento das investigações participaram ativamente para financiar, mobilizar e levar caminhões para ficar em frente ao Quartel General em Brasília, onde se encontrava o acampamento que organizou os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Antônio Galvan, surge na trama golpista em 2023, após um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre o financiamento do agronegócio aos bloqueios de rodovias. O documento detalha a atuação do Movimento Brasil Verde e Amarelo, liderado por Galvan, que já era alvo de inquérito por apoiar atos antidemocráticos desde 2021.
O documento também inclui na lista dos agrogolpistas a família Bedin com dez membros arrolados entre os donos de caminhões estacionados no pátio do Exército, que eram utilizados em bloqueios de rodovias. Isso chegou a ser revelado durante a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro, quando o patriarca Argino Bedin foi depor sob acusação de ter sido um dos financiadores dos atos.
Na época, Bedin ficou em silêncio e chorou. De acordo com o relatório do Coaf encaminhado à CPMI, Roberta Bedin, filha de Argino, movimentou R$ 19,6 milhões entre 2021 e 2022.
Seu pai, R$ 1,9 milhão. “Segundo o relatório, os montantes tinham origem não identificada e sinalizavam que o dinheiro foi injetado em ações políticas”, diz trecho do documento.
Os dois estão na lista dos 43 empresários que tiveram as contas bancárias bloqueadas por suspeita de organizar e financiar atos antidemocráticos. Também aparece o primo Sérgio Bedin, que nas eleições de 2022 doou R$ 100 mil para a campanha de Bolsonaro à reeleição.
Outro primo, Luciano Bedin, depositou R$ 60 mil para o ex-presidente. “Outros seis membros da família figuram na lista de donos de caminhões encontrados no QG do Exército em Brasília: Rafael e Nilson Bedin, Ary Pedro Bedin e seu filho Evandro; além de Cristiane e Ângela Maria Bedin, sócias na Sorriagro Insumos Agrícolas”, completa o relatório.
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