CIDADES
“Vereador quer ganhar palco e tem fixação pela comunidade LGBT”, diz presidente da Parada do Orgulho
O presidente da Associação da Parada do Orgulho LBTQIAPN+ de Cuiabá, Clóvis Arantes, vê como perseguição o projeto de lei do vereador Rafael Ranalli (PL), que visa impedir o uso de símbolos cristãos na Parada que ocorre todos os anos na capital. Ao
, ele defendeu que ninguém pode ser proibido de manifestar sua religiosidade.
Reprodução

O projeto de lei foi apresentado pelo vereador Rafael Ranalli no dia 9 de maio. Se aprovado, a vedação será estendida a eventos similares a Parada do Orgulho, como marchas, desfiles, manifestação ou celebração da comunidade.
“Está garantido na Constituição Brasileira que o Estado é laico. As pessoas têm o direito de professar sua fé, porque é um direito particular.[…] A parada, em nenhum momento trabalha com símbolos ligados à questão religiosa, pelo respeito que a gente tem por todas as religiões. E sabendo que a questão da religiosidade é muito importantes para as pessoas, inclusive para as pessoas LGBTs, que em sua maioria são cristãs também”, ressaltou Arantes.
Diante disso, o presidente alegou que o vereador quer ganhar palco e se manter na mídia. “Eu não compreendo qual é a lógica desse vereador [Ranalli]. Eu acho que ele tem uma fixação na comunidade LGBT. Essa fixação que ele tem, desde que entrou como vereador na população LGBT, chega a ser doentia. [Ele] coloca questões que não têm nexo, não têm lógica. Primeiro que o nosso tema não traz a questão da religiosidade. Agora, as pessoas são pessoas que têm fé, que professam sua fé. Impedir uma pessoa de andar com o seu símbolo religioso, isso é crime”, pontuou.
Rodinei Crescêncio

Clóvis Arantes ainda declarou que a cidade de Cuiabá está precisando de educação, saúde, transporte, habitação, além de empregos para pessoas LGBTQIAPN+.
“Convidamos o vereador para apresentar projetos que venham a favorecer a vida das pessoas LGBTs, que moram e que vivem no cotidiano as dificuldades de estar passando por um governo que não tem olhos para a diversidade e que não faz nenhum tipo de inclusão política para a população LGBT”, finalizou o presidente.
O projeto
Se o projeto de lei for aprovadao pela Câmara e sancionado pelo prefeito Abilio Brunini (PL) – que é evangélico -, a comunidade não poderá usar símbolos; objetos como bíblia, terço, crucifixo, cruz; figuras sacras e outros elementos ligados à fé cristã, com cunho de zombaria ou difamação. Ainda conforme o texto, em caso de descumprimento, inicialmente, haverá advertência, mas em caso de reincidência, Ranalli quer multa de R$ 50 mil por cada símbolo utilizado. Além disso, será passível de suspensão de autorização para a realização de eventos similares por até 3 anos.
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