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De coral a cascavel: MT abriga as serpentes com pior veneno do Brasil

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Apesar de serem menos frequentes que escorpiões ou aranhas, as serpentes também são protagonistas de acidentes envolvendo animais peçonhentos em Mato Grosso. Segundo a Secretaria de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), houve 720 registros de acidentes com animais peçonhentos no primeiro trimestre deste ano – 45% envolvendo serpentes. A depender da espécie, seu veneno pode levar a hemorragia, insuficiência renal e ao óbito.

Paulo Bernarde

Cobra surucucu

Cobra surucucu

Mesmo com a pouca ocorrência, Mato Grosso é um estado rico em espécies de serpentes. Dos quatro gêneros peçonhentos que existem no Brasil – jararaca, coral, surucucu e cascavel -, Mato Grosso tem espécie de todos eles.

Ao , a bióloga especialista em serpentes, Silvia Cardoso, do Instituto Butantan, explicou que, ao todo, são encontradas oito espécies de jararaca, dez de coral e uma da surucucu, que é a mais peçonhenta das Américas. 

Desses gêneros, os acidentes são mais recorrentes com as jararacas. Segundo Silvia, algumas espécies são mais irritadas, o que pode motivar picadas. “Eu acredito que os acidentes sejam causados pela Botropis mugine, que é a caiçaca, um bicho grande, chamado de jararaca brava, de temperamento irritado. Tem também a Brotopis mattogrossensis, que também é bem frequente. Das oito espécies do estado, três ou quatro ocorrem apenas no norte do estado, na região da Amazônia”, detalhou.

O bote da jararaca deixa uma ferida feia, que incha e cria bolhas. Além disso, pode apresentar hemorragia pelos olhos, nariz ou gengivas, mas é de baixa letalidade – as sequelas podem ser a perda de um dedo ou fraqueza muscular no local. 

 

Divulgação/UPF

Cobra coral

Cobra coral

Já as corais, ainda que em maior número e veneno mais potente, picam pouco, de acordo com a bióloga. A peçonha delas é neurotóxica, ou seja, afeta o sistema nervoso, causando adormecimento no corpo, dificuldade de engolir e insuficiência respiratória.

As picadas da surucucu e a cascavel também geram efeitos graves e afetam o sistema neurológico. O veneno da cascavel é sutil, não dói e não incha, mas age no organismo e pode levar a insuficiência renal. Já a surucucu, por ter três metros de comprimento, injeta mais veneno, levando a pessoa a um estado de choque. 

“A surucucu tem um veneno muito parecido com a jararaca, de ação local, só que ela também tem uma ação neurotóxica. É como se fosse um acidente feio de jararaca, mas com problemas neurotóxicos, que vai dar hipotensão, vômitos e diarreia e, em casos graves, a pessoa entra em choque”, disse Silvia.

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Época de ocorrências

Silvia também explicou que nos meses mais quentes, de outubro a março, ocorre o nascimento de filhotes das serpentes peçonhentas. Isso faz elas saírem mais e aumenta a chance de encontro. 

“Nas épocas mais quentes, as pessoas saem mais para o campo, para pescar, para passear, para fazer trilha, e os bichos também saem mais. As fêmeas estão parindo os filhotes e vão tomar sol para se aquecer nas fases finais da gestação. Tudo isso aumenta a chance de encontro, o que faz aumentar também o número de acidentes”, explicou.

Para serpentes, existe uma época do ano com mais probabilidade de ocorrência de acidentes. No entanto, casos assim podem ocorrer durante todo o ano, já que, quando há alagamentos, esses animais procuram locais secos para se abrigar. Além disso, com a expansão do espaço urbano, as serpentes tendem a sair mais em busca de alimento, principalmente em áreas residenciais próximas às regiões de mata. 

Portal de Zoologia de Pernambuco

Cobra cascavel

Cobra cascavel

Durante o ano todo, é necessário manter cuidados para manter esses animais afastados de residências. O principal aspecto é o cuidado com os entulhos, seja de bagunça ou lixo. Ambientes assim podem atrair ratos, que atraem cobras, ou baratas, que atraem escorpiões. 

“Na região entre a mata e as cidades, os animais acabam se aproximando, muitas vezes, para obter alimento. As cobras comem muito rato e, se elas não têm na natureza, elas vão se aproximar de onde mora gente, onde há entulho, restos de comida para poder achar seu alimento”, concluiu Silvia. 

O que fazer ao encontrar uma serpente

Diferente dos escorpiões e das aranhas, uma serpente não é um animal que se possa “encarar” ao se deparar com ele. A primeira orientação é manter-se afastado e, com um instrumento longo, como um cabo de vassoura, tocar o animal para fora do ambiente. 

“As pessoas vão lá, querem se aproximar para tentar identificar, ver se é perigoso ou não. O ideal é não se aproximar e se afastar. Quem não está acostumado a pegar uma serpente peçonhenta, mesmo que tenha um gancho de pegar a cobra, pode deixar ela escorregar, cair no chão, o que pode deixá-la mais irritada ainda. Com isso, sempre tem gente em volta querendo ver o que está acontecendo e isso aumenta muito a chance de ter um acidente”, aconselhou. 

Se acontecer um acidente e a pessoa for picada, é importante manter a calma e lavar o local com água e sabão para, em seguida, buscar atendimento médico. Não precisa fazer torniquete nem outros cortes na pele para o “veneno sair”. 

Já na unidade de saúde, a pessoa que foi picada irá tomar o soro antiofídico de acordo com a espécie de serpente do acidente. O profissional pode identificar a espécie pelos sintomas ou pelo estado da ferida, mas também é possível apresentar uma fotografia do animal. 

Atualmente, esses são os tipos de soro disponíveis na rede pública, fabricados pelo Butantan: 

  • Botrópico – contra picadas de jararaca
  • Crotálico – contra picadas de cascavel
  • Elapídico – contra picadas de corais
  • Laquético – contra picadas de surucucu
  • Escorpiônico – contra picadas de escorpiões
  • Loxoscelico – contra picadas de aranha-marrom
  • Fonêutrico – contra picadas de aranhas armadeiras

A Secretaria de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) disponibilizou uma lista das unidades de saúde de cada município que possuem os soros antiofídicos – veja abaixo:

PageFlips: Locais que possuem soro antiofídico em Mato G





Fonte: RDNews

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