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Cuiabano mantém tradição de comer peixe, mas vê preço subir em até 55%

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Na Sexta-feira Santa, uma das datas mais importantes para os católicos, os cuiabanos mantêm viva a tradição de não consumir carne vermelha e intensificam a procura por peixes. Apesar da alta nos preços — com alguns pescados registando aumento de até 55,84% em relação ao mesmo período do ano passado — o consumo continua forte na capital, refletindo a fé e os costumes enraizados na população.

Rodinei Crescêncio/Rdnews

Semana Santa venda de peixe - pescado Beira Rio e Mercado do Porto

A Semana Santa, como é comumente conhecida, marca o fim da Quaresma, iniciada na Quarta-feira de Cinzas, logo após o Carnaval. O período, que tem duração de 40 dias, é destinado à preparação para a celebração da paixão, morte e ressurreição de Cristo .

Como a carne vermelha (como boi, porco e frango) é considerada um alimento mais “rico” e associado a festas e celebrações. Evitar esse tipo de proteína é visto como um pequeno sacrifício pessoal, um gesto simbólico de humildade e reflexão. Por isso, a busca da população por pescados se intensifica nessa época.

A equipe do foi às ruas para ouvir consumidores e vendedores sobre as expectativas para a Semana Santa de 2025. Foram visitados os dois locais mais movimentados nesse período em Cuiabá: o Mercado do Porto e a Feira do Peixe da Beira Rio, conhecidos pela intensa procura por pescados durante a celebração religiosa. Entre os peixes mais procurados pelos consumidores estão a tabatinga, o tambacu, o pintado, o pacu, o lambari e a cachara, além de outras espécies tradicionais que compõem a mesa dos brasileiros nessa época do ano.

Rodinei Crescêncio/Rdnews

Semana Santa venda de peixe - pescado Beira Rio e Mercado do Porto

Preço alto e tradição

Antônio, vendedor no Mercado do Porto, afirma que a procura por peixes foi bastante intensa neste período que antecede a Sexta-feira da Paixão. Segundo ele, com a ausência do tradicional projeto Peixe Santo em Cuiabá, que costumava oferecer pescados a preços populares, a demanda no Mercado do Porto cresceu consideravelmente. Neste ano, a iniciativa será realizada apenas em Várzea Grande.

“Já sentimos um aumento significativo nas vendas, e ainda tem muita gente que deixa para comprar na última hora. Os peixes que mais vendem são a ventrecha e o filé de pintado, que vem da Bacia Amazônica. Pode ficar tranquilo que peixe não vai faltar”, garantiu seu Antônio.

O filé de pintado no Mercado do Porto é vendido por R$ 60 o quilo, enquanto a ventrecha sem espinha R$ 38. Em comparação com os preços de 2024, quando o filé custava entre R$ 35 e R$ 42, houve um aumento médio de 55,84%.

Mesmo com a alta nos preços, os cuiabanos mantêm a tradição e não abrem mão do peixe durante a Semana Santa. É o caso de Adonilson Rodrigues, cliente do mercado, que contou: “Estou comprando tabatinga e cachara para fazer ao molho e fritar”.

Na Feira do Peixe, localizada na Avenida Beira Rio, o movimento também ficou intenso. Segundo o comerciante Vavá, muitos clientes estão antecipando as compras para garantir os melhores cortes. O tambacu, já limpo, cortado e sem espinhas, é o mais procurado e está sendo vendido por R$ 30 o quilo. “Tenho minha meta e estou satisfeito com as vendas deste ano. Está bom”, afirmou. Para ele, os preços não tiveram grandes alterações em relação ao ano anterior.

Rodinei Crescêncio/Rdnews

Semana Santa venda de peixe - pescado Beira Rio e Mercado do Porto

Em 2024, os peixes na feira custavam entre R$ 23 e R$ 27 o quilo. Neste ano, o valor médio subiu para cerca de R$ 30, o que representa um aumento de aproximadamente 11,11%. O consumidor Alex, que comprava tambacu, comentou: “Está na média, não houve muita alteração no preço”.

Procura por peixe de tanque

Na barraca dos irmãos Pedro e Vagner, o tabatinga é o carro-chefe das vendas. Vagner contou que percebeu pouca variação no preço em relação ao ano passado. “Subiu pouca coisa. O preparo que o pessoal mais procura é frito ou ao molho. Peixe para assar tem pouca saída”, explicou.

Outro comerciante da feira, Wellington, comentou sobre os impactos da Lei do Transporte Zero, em vigor desde fevereiro. A legislação restringe a pesca nos rios de Mato Grosso e proíbe o transporte e a comercialização de 12 espécies. “A lei afetou bastante quem prefere o peixe de rio, e isso fez aumentar a procura pelos peixes de tanque”, observou.

Além dos mercados e feiras, os supermercados da capital também estão abastecidos com diversas opções de pescados. Entre elas, o tradicional bacalhau, com preços que variam entre R$ 99,90 e R$ 298,90 o quilo — valores considerados elevados por muitos consumidores. Já o filé de tilápia é encontrado por R$ 59,90 o quilo, e o de pirarucu, por R$ 65,90. Para facilitar, algumas redes oferecem parcelamento do bacalhau em até quatro vezes no cartão.





Fonte: RDNews

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