SAÚDE
Uso de antidepressivo mais que dobra risco de morte súbita, diz estudo
O estudo indica que especialmente em adultos jovens o uso da medicação por mais de seis anos mais do que dobra o risco de morte súbita cardíaca ao ser comparado com alguém que nunca consumiu estes fármacos.
A investigação conduzida por pesquisadores do Hospital do Coração de Copenhagen, na Dinamarca, avaliou dados de saúde de 4,3 milhões de dinamarqueses. à morte inesperada de uma pessoa que ocorre menos de 24 horas depois do início dos sintomas.
O que explica o risco?
Os resultados indicam que o risco médio de foi de 56%, mas quanto mais longo for o uso do remédio, maior parece ser o risco.
“Aqueles expostos por seis anos ou mais estavam em risco ainda maior do que aqueles expostos por um a cinco anos, quando comparados com pessoas que nunca usaram antidepressivos na população em geral”, afirmou a autora principal do estudo, a cardiologista Jasmin Mujkanovic, em comunicado à imprensa.
Cientistas destacam que a relação não implica causalidade direta. Antidepressivos podem alterar ritmos cardíacos ou mascarar sintomas de problemas cardiovasculares. Outra hipótese é que pacientes crônicos tenham menor acesso a cuidados preventivos.
“O risco aumentado de morte cardíaca súbita pode ser atribuído aos ”, especula a cardiologista. “No entanto, o tempo de exposição aos medicamentos também pode servir como um marcador para indicar a presença de doenças subjacentes mais graves e crônicas, inclusive o tabagismo. Além disso, o aumento pode ser influenciado por fatores comportamentais ou de estilo de vida associados à depressão, como busca tardia por assistência médica e os hábitos ruins de saúde, mas mais pesquisas são necessárias.”
Como funcionam os antidepressivos? Manual do usuário
Impacto variou conforme a faixa etária
Indivíduos na casa dos 30 anos apresentaram os números mais alarmantes. Os dados apresentados mostram que em indivíduos com idade entre 30 e 39 anos, o perigo chega a ser cinco vezes maior para quem usou antidepressivos por mais de seis anos.
Com a idade, o risco diminui. Entre 50 e 59 anos, houve quatro vezes mais risco de morte cardíaca súbita no mesmo período de uso. Em idosos acima dos 70 anos, o risco foi duas vezes maior. A análise considerou prescrições repetidas ao longo de 12 anos.
O estudo não diferenciou classes de medicamentos. “São necessárias novas pesquisas para entender os mecanismos exatos de cada uma delas”, conclui a equipe. Enquanto isso, porém, os cientistas recomendam monitoramento cardiológico rigoroso durante tratamentos prolongados, especialmente para adultos jovens.
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