CIDADES
Mulheres passam de proibidas a estudar à maioria em ensino superior em MT
Durante séculos, a educação feminina foi limitada por barreiras legais e culturais que restringiam o acesso ao conhecimento. No Brasil, antes de 1827, as mulheres sequer podiam frequentar a escola. Quando finalmente foram autorizadas, o ensino que recebiam era reduzido, moldado para a vida doméstica. No ensino superior, o caminho era ainda mais estreito: além da falta de preparo acadêmico comparado aos homens, muitas precisavam da autorização dos pais ou maridos para ingressar na universidade. Da exclusão ao protagonismo, as mulheres reescreveram a própria história e hoje não só ocupam, como são maioria no ensino superior. Um estudo recente mostrou que 61,5% dos graduados em Mato Grosso são mulheres.
Annie Souza

Mulheres passaram a ser aceitas no ensino superior, apenas em 1879. No entanto, um árduo caminho ainda precisaria ser percorrido para que as mulheres começarem a ocupar os espaços da educação, como explica a historiadora, pesquisadora e professora da Universidade de Cuiabá, Maria de Lourdes Fanaia.
“A partir da década de 70, nós tivemos uma grande revolução na educação, em que começaram a trazer para os livros a história de todo mundo, inclusive das mulheres””
“Antes a mulher era invisibilizada, tanto no meio social, quanto na historiografia brasileira e de Mato Grosso. Então, essa mulher estava ausente das páginas dos livros didáticos. E se considerarmos as mulheres que escreviam sobre alguma coisa, precisavam fazer parte da elite. E isso aconteceu durante muitos anos, principalmente no período da escravidão, que foram mais de 300 anos. Dentro desse contexto, elas foram invisibilizadas de todas as formas”
Por muito tempo, as mulheres eram descritas pelo olhar do homem, não tinham voz, frutos de uma sociedade patriarcal, colonial e machista.
“Existiram mulheres que quebraram esse paradigma. Um exemplo foi a escritora Maria Firmina, que escreveu o romance Úrsula. Essa escritora era uma mulher negra, que pela condição que foi criada, teve a oportunidade de adquirir esse conhecimento de ler, escrever. Com o tempo, ela resolveu escrever esse romance, mas não assinou o nome dela naquela sociedade machista. Ela assinou como o nome de um homem, mas denunciava racismo e sistema escravista e isso já quebrou paradigmas”, explica.
Conforme a professora, as mulheres começaram a ganhar visibilidade a partir do voto feminino. “É como se antes a história tivesse sido construída só de experiências de homens. A partir da década de 40, com o governo de Getúlio Vargas, houve uma quebra de paradigma. A partir da década de 70, nós tivemos uma grande revolução na educação, em que começaram a trazer para os livros a história de todo mundo, inclusive de mulheres”
Com essas mudanças da época, a mulher passou a se inserir cada vez mais no mercado de trabalho e também com maior formação escolar do ensino superior, como apontam os dados atuais. Segundo o Censo Demográfico 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres, em média, possuem melhor nível de instrução do que os homens. Em 2022, entre as mato-grossenses com 25 anos ou mais, 22,9% tinham ensino superior completo, enquanto entre os homens essa proporção era de apenas 14,4%. Além disso, a parcela da população masculina com 25 anos ou mais que não completou o ensino fundamental ou sequer teve instrução formal (39,6%) superava a das mulheres (32,2%).
IBGE

Outro dado relevante da pesquisa aponta que as mulheres também apresentam uma média maior de anos de estudo. Em Mato Grosso, a média de anos de estudo entre a população feminina de 25 anos ou mais foi de 9,9 anos, enquanto entre os homens ficou em 8,9 anos. A diferença foi observada em todos os grupos etários analisados.
“Eu chamo de conquista, conquista de espaço. Você ocupa um espaço em que isso te dá propriedade, habilidades, não só profissionais, mas emocionais também”
“Hoje nós sabemos que em grande parte do mercado profissional estão as mulheres, ainda que nem sempre os índices apontem que o salário dessas mulheres seja equiparados aos dos homens. Mas nós temos mulheres destaques em várias categorias sociais e profissionais. Elas estão lá pela busca pelo conhecimento, a busca pela formação social, profissional e cultural. Ou seja, mesmo que ela administre a família, os filhos, a casa, ela tem também esse outro afazer. É uma realização pessoal e também uma forma de angariar recursos”, avalia.
Para a historiadora, essa ocupação da mulher no ensino é uma grande conquista. “Eu chamo de conquista, conquista de espaço. Você ocupa um espaço em que isso te dá propriedade, habilidades, não só profissionais, mas emocionais também, pelo que você gosta de fazer, pelo gostar de de ser”, conclui.
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