SAÚDE
Ibuprofeno como pré-treino? Médicos alertam para riscos à saúde
Nas redes sociais, influenciadores do universo fitness frequentemente sugerem o uso de medicamentos para aliviar o desconforto muscular pós-treino. No entanto, médicos ouvidos pelo Metrópoles alertam que recorrer a analgésicos como o ibuprofeno pode trazer riscos à saúde.
“O ibuprofeno, como qualquer anti-inflamatório não hormonal, deve ser evitado por quem faz prática diária de exercícios. É um medicamento que tem efeitos colaterais, pode e hepática”, alerta o presidente da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (Sbrate), João Grangeiro.
O cardiologista Raffael Fraga, coordenador do Check-Up Esportivo do Alta Diagnósticos, acrescenta que esses medicamentos também afetam o sistema digestivo. “O ibuprofeno pode causar irritação gástrica, úlceras e, em casos graves, hemorragias gastrointestinais. O risco é ainda maior para quem já tem predisposição à gastrite”, explica.
Além disso, o uso do medicamento antes ou depois do treino não é eficaz. “Utilizá-lo como ‘preventivo’ para a dor muscular pós-atividade não é recomendado pela medicina esportiva”, afirma o ortopedista Otaviano Oliveira Junior, especialista em trauma esportivo, que atua em Minas Gerais.
O consumo de anti-inflamatórios também pode interferir na recuperação e no ganho muscular. “Eles reduzem a resposta inflamatória, essencial para a adaptação muscular, e comprometem a síntese proteica, atrasando o ciclo de reparação e recuperação muscular”, alerta Fraga.
Grangeiro reforça que o uso indiscriminado de medicamentos, como antibióticos e anabolizantes esteroides, deve ser evitado por quem pratica exercícios regularmente. “Esses três grupos de remédios podem comprometer a saúde de quem se exercita com frequência”, diz.
Alternativas seguras para aliviar dores pós-treino
Em vez de recorrer a medicamentos, existem estratégias seguras para aliviar as dores musculares e garantir uma recuperação adequada. “Trabalhos de ‘recovery’, como um bom controle do sono, da alimentação e da hidratação, ajudam no processo de recuperação fisiológica”, recomenda o ortopedista Oliveira Junior.
Fraga acrescenta que também desempenha um papel essencial. “Proteínas de boa qualidade, ômega 3 e uma boa hidratação ajudam na recuperação muscular e reduzem a destruição dos tecidos”, explica.
Além disso, a prática de atividades com intensidade variada contribui para evitar sobrecarga. “É importante ‘ondular’ entre o ganho e a recuperação fisiológica dos tecidos. Técnicas como botas de compressão e termoterapia, como imersão em gelo e piscina aquecida, também ajudam bastante”, afirma o ortopedista.
Ele ressalta que outras estratégias, como , alongamento, mobilidade, massagem e liberação miofascial, também podem auxiliar no alívio das dores.
“O uso de medicamentos deve ser avaliado com um profissional especializado em esporte, considerando riscos e benefícios. Por isso, é importante que atletas e praticantes regulares façam check-ups para entender suas limitações e lesões ortopédicas antes de recorrer a qualquer remédio”, orienta.
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