OPINIÃO

Plano Safra: anúncio de bilhões, realidade de centavos

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Pablo Padilha

 

Todos os anos, o anúncio do Plano Safra vem cercado de pompa, discursos técnicos e promessas de crédito farto e acessível para o agronegócio, setor que sustenta boa parte da economia nacional. Em Brasília, as cifras são bilionárias, os juros “atraentes” e o discurso afinado: o governo está fazendo sua parte para garantir uma safra farta e segura. No entanto, quem está no campo sabe que, entre o anúncio e a realidade, há uma distância grande e, muitas vezes, intransponível.

A verdade é que o chamado “dinheiro barato” raramente chega às mãos de quem planta, colhe e alimenta o Brasil. O acesso ao crédito do Plano Safra é restrito, burocrático e muitas vezes condicionado a uma série de exigências que excluem justamente o produtor rural, aqueles que mais precisam de apoio financeiro para garantir sua produção. É simples: o governo lança, mas não entrega, o produtor espera, mas não recebe.

Na prática, muitos desses produtores se veem forçados a recorrer ao sistema financeiro tradicional, onde os juros são mais altos e os prazos, mais curtos. A dependência do financiamento privado, principalmente de grandes bancos, se tornou a regra e não a exceção. Isso compromete a rentabilidade da produção agrícola e eleva os riscos para quem já lida com as incertezas do clima, do mercado e das políticas públicas.

Nesse cenário, é fundamental que o produtor rural busque suporte técnico e assessoria financeira qualificada. Empresas e especialistas que atuam com foco no crédito para o agronegócio podem fazer a diferença entre um financiamento sustentável e um endividamento perigoso. São esses profissionais que conhecem os caminhos certos, as linhas de crédito mais vantajosas e, principalmente, que ajudam o produtor a organizar sua atividade para se tornar mais atrativo ao crédito, seja ele público ou privado.

Dinheiro barato, portanto, não é aquele que aparece nos slides das apresentações do governo. Dinheiro barato é o que chega de fato ao produtor, com condições reais de pagamento, com prazos viáveis e com taxas de juros que respeitam a natureza do ciclo produtivo agrícola. Enquanto o acesso aos recursos do Plano Safra continuar restrito a poucos, e enquanto a burocracia continuar a afastar quem mais precisa, o crédito rural continuará sendo um desafio, e não uma solução.

O Brasil precisa rever com seriedade a forma como distribui seus incentivos e financia sua produção agrícola. O campo não precisa apenas de promessas; precisa de acesso. E acesso exige clareza, simplicidade, transparência e apoio técnico. Sem isso, o Plano Safra continuará sendo uma vitrine política, mas nunca uma realidade para quem levanta cedo e carrega nas costas o peso da economia brasileira.

Porque, no fim das contas, dinheiro barato é aquele que chega ao produtor — e não aquele que só aparece no discurso.

Pablo Padilha é advogado e financista especializado em finanças e agronegócio





Fontee: Folhamax

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