JUDICIARIO
Coronel acusado de financiar execução de advogado tem liminar negada e continua preso em Cuiabá
Conteúdo/ODOC – O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) manteve, por unanimidade, a prisão do coronel da reserva Etevaldo Luiz Caçadini, detido no 44º Batalhão do Exército, em Cuiabá. Ele é apontado como um dos envolvidos no homicídio do advogado Roberto Zampieri, morto a tiros em dezembro de 2023, na capital mato-grossense.
A decisão foi tomada na última terça-feira (27) pela Segunda Câmara Criminal, que negou pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do militar, que solicitava a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar. O argumento principal era o diagnóstico de câncer enfrentado por Caçadini.
No entanto, os desembargadores consideraram que o quadro de saúde não apresenta gravidade suficiente para justificar a medida, especialmente porque o réu está sob custódia em unidade militar, recebendo atendimento médico regular e adequado. Laudos anexados aos autos indicam que ele sofre de um carcinoma basocelular nodular — tipo de câncer de pele considerado de baixa agressividade e risco mínimo de metástase.
A procuradora de Justiça Kátia Rispoli reforçou que não há elementos que comprovem a impossibilidade de tratamento médico no local em que Caçadini está detido. Segundo ela, a situação do militar é privilegiada se comparada à realidade da maioria dos presos provisórios do país. Além disso, exames e procedimentos cirúrgicos já foram realizados dentro da estrutura do 44º Batalhão.
O relator do caso, desembargador Paulo Sérgio Carreira de Souza, ressaltou que a prisão domiciliar é medida excepcional, cabível apenas quando houver demonstração inequívoca de que o tratamento necessário não pode ser oferecido no ambiente de custódia. Como não houve essa comprovação, o pedido foi indeferido.
Ligação com grupo de extermínio
Caçadini também foi alvo de um novo mandado de prisão na semana passada, no âmbito da 7ª fase da Operação Sisamnes, deflagrada pela Polícia Federal com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação revelou a existência de uma organização criminosa batizada de “Comando C4” — sigla para “Comando Caça Comunistas, Corruptos e Criminosos”.
De acordo com as apurações, o grupo seria formado por militares da ativa, da reserva e civis, envolvidos em atividades de espionagem e assassinatos por encomenda. Anotações encontradas em agendas apreendidas pela polícia detalham até mesmo uma tabela de preços cobrados pelos serviços ilícitos: R$ 50 mil para alvos comuns, R$ 100 mil para deputados, R$ 150 mil para senadores e R$ 250 mil para membros do Judiciário.
O grupo, segundo a PF, teria sido responsável pela execução de Zampieri. A motivação seria uma disputa por terras avaliadas em aproximadamente R$ 100 milhões. O fazendeiro Aníbal Laurindo é apontado como o mandante do crime, enquanto Caçadini teria atuado como financiador. Também foram identificados outros supostos integrantes da quadrilha, entre eles o atirador Antônio Gomes da Silva e Hedilerson Barbosa, responsável por fornecer a arma utilizada no crime.
Ao autorizar os mandados, o ministro Cristiano Zanin, do STF, classificou o grupo como dotado de “letalidade potencial imensurável”.
As investigações seguem em andamento e os envolvidos continuam presos preventivamente.
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