POLÍTICA

AGU pressiona e consegue R$ 6 mi de honorários de advogados

Published

on


A AGU (Advocacia Geral da União) pressionou –e conseguiu– uma doação de R$ 6 milhões do conselho que administra os recursos dos chamados “honorários de sucumbência” dos advogados públicos. O titular da pasta é o advogado Jorge Messias.

Honorários de sucumbência são valores pagos por quem perde uma ação ao advogado vencedor. Advogados públicos também recebem esse valor.

O pedido foi enviado em 28 de fevereiro ao CCHA (Conselho Curador de Honorários Advocatícios). Leia a íntegra do pedido (PDF – 123 kB). No mesmo dia, foi publicado no DOU (Diário Oficial da União) e terá vigência de 2 anos.

A AGU produziu uma nota técnica detalhando o que pretende fazer com os quase R$ 6 milhões. Serão comprados, segundo o documento, aparelhos de informática. Leia a íntegra da nota técnica 00017/2025 (PDF – 238 kB).

Foram listados 12 equipamentos cujo preço total soma R$ 5.947.325,28. Hoje, quase 7.500  advogados públicos recebem honorários advocatícios mensalmente (leia mais abaixo).

O principal argumento da AGU é que a demanda do CCHA por informações detalhadas dos funcionários para fazer os pagamentos leva a um consumo adicional de hardware dentro da pasta. Por isso pedem o dinheiro. O nome do sistema usado para pagar os advogados é “Super Sapiens”.

Ao Poder360, a AGU disse que o dinheiro “têm o objetivo de garantir a contratação da atualização da infraestrutura de hardware da Advocacia-Geral da União“.

A contratação dessa atualização de infraestrutura é essencial para a melhora de desempenho dos novos servidores do Super Sapiens, o sistema oficial de informações, documentos e processos eletrônicos da AGU. A utilização desse sistema é obrigatória na gestão documental e controle de fluxos de trabalho pelos membros e servidores da instituição“, disse, em nota (leia a íntegra mais abaixo).

O pedido da AGU provocou um impasse dentro do CCHA. Houve conselheiros contrários ao argumento e à doação. O conselho é composto por 4 integrantes. Eis a lista e a carreira que eles representam:

Segundo Dayvisson Oliveira, da Fazenda Nacional, os argumentos da AGU não foram suficientes para garantir a doação, sobretudo porque não há menção a aumento na arrecadação ou queda de custos como a doação e a reformulação do sistema.

Para ele, falta uma correlação clara entre despesa e qualquer aumento direto na receita ou remuneração dos integrantes da AGU. “Mais uma vez, não há uma indicação clara de correlação entre a solicitação de recursos pela SGE e incremento de arrecadação. Leia-se: não há qualquer indicativo de retorno para os titulares dos recursos, quais sejam, os (as) membros das carreiras da AGU“, disse.

Já Júlia Teixeira defendeu o acordo em nota do CCHA. Leia a íntegra (PDF – 177 kB).

Em 2023, o CCHA firmou um acordo de cooperação técnica com a AGU com o objetivo de integrar todos os dados funcionais dos membros das carreiras na AGU. Este acordo previa que o CCHA arcaria com os custos de mão de obra técnica especializada necessária para implementar o sistema“, disse.

A alteração do sistema promete corrigir erros, como o ocorrido no mês passado, quando valores incorretos foram informados para abate teto“, afirmou.

Por último, Júlia criticou a divulgação do voto de Dayvisson e defendeu que a sua argumentação não se tornasse pública. O Poder360 entende que há interesse público e relevância jornalística em revelar essas informações por se tratarem de funcionários públicos e de um ministério batalhando por uma doação financeira.

O vazamento isolado deste voto compromete a credibilidade dos conselheiros e do CCHA. É importante registrar que o conselheiro que divulgou seu voto também se posicionou contra a implementação do auxílio saúde“.

O CCHA está envolto em uma série de controvérsias quanto ao uso do dinheiro que recolhe para finalidades diferentes do pagamento de honorários.

O Poder360 revelou, em agosto de 2024, que os conselheiros queriam contratar um seguro de R$ 2,8 milhões para blindar suas decisões, caso dessem errado.

Depois dos questionamentos do Poder360, o CCHA voltou atrás na contratação.

O mesmo conselho contratou, em outubro, um seguro-saúde com valor de até R$ 3.500 por mês para os beneficiários.

O valor gasto com o bônus pago a advogados públicos ligados à União cresceu 112% de 2018 a 2023. Foram de R$ 796 milhões para R$ 1,7 bilhão no ano passado. Nesse período, a inflação foi de 32,5%.

Os valores desses bônus se somam aos salários dos profissionais. O bônus é um valor pago nos casos em que o governo vence processos na Justiça. São pagos pela parte perdedora dos processos contra o governo. O valor não entra nos cofres públicos, mas é distribuído entre todos os advogados públicos.

O termo técnico para definir o pagamento é “honorário de sucumbência”. Em 2024, os dados vão até março. Se o ritmo for mantido, serão quase R$ 2 bilhões no ano.

A média de recebimentos dos bônus foi de R$ 13.900 por mês em 2024, de janeiro a março. A categoria inclui advogados da União (1.626 funcionários na ativa), procuradores federais (3.596), da Fazenda Nacional (2.040) e do Banco Central (155). A maior soma de valores fica com os procuradores federais –a categoria mais numerosa.

O pagamento de honorários foi criado pela lei 13.327 de 2016. Há ações questionando esse pagamento em curso no TCU.

A AGU diz que esses advogados fomentam economia e receita ao país. De 2018 a 2022, por exemplo, a alta foi de 48,4% de 2018 a 2022. Passou de R$ 31,60 bilhões para R$ 46,87 bilhões. Os bônus mais do que dobraram no período. Eis o que, segundo a AGU, foi arrecadado de 2018 a 2022:

A AGU disse que o pagamento segue a lei e que a maioria dos honorários é usada para pagar parte da dívida do país. O restante, vai para os funcionários públicos da carreira: “É importante registrar que no mínimo 25%, mas em média pouco menos de 50%, dos honorários (encargos-legais) que incidem sobre a Dívida Ativa da União são destinados aos cofres públicos, não sendo distribuídos aos advogados públicos federais”.

Segundo a AGU, a média de pagamentos dos advogados da União é de R$ 9.000. Para chegar a esse número, foram incluídos os valores pagos aos aposentados, inferiores aos dos funcionários da ativa.

Leia a íntegra da resposta da AGU:

Os recursos solicitados ao Conselho Curador dos Honorários Advocatícios (CCHA) têm o objetivo de garantir a contratação da atualização da infraestrutura de hardware da Advocacia-Geral da União (AGU). Como demonstrado na Nota Técnica nº 00017/2025/DTI/AGU, o pedido realizado pelo CCHA de envio de informações detalhadas sobre recursos humanos, de forma online, via Application Programming Interface (em português, Interface de Programação de Aplicações- API), gerará um consumo adicional do hardware constante da infraestrutura de tecnologia da informação da AGU.

Também como destacado na Nota Técnica, a contratação dessa atualização de infraestrutura é essencial para a melhora de desempenho dos novos servidores do Super Sapiens, o sistema oficial de informações, documentos e processos eletrônicos da AGU. A utilização desse sistema é obrigatória na gestão documental e controle de fluxos de trabalho pelos membros e servidores da instituição.

Também como ressaltado na Nota, a não implementação do reforço na infraestrutura de rede da AGU geraria riscos significativos, incluindo a subutilização de recursos, gargalos de desempenho e ineficiência operacional, prejudicando diretamente o funcionamento de outros módulos do sistema.

Entre as normas que amparam a solicitação de recursos ao CCHA está o art. 34, IV, §§ 5º e 6º da Lei n° 13.327/2016:

Art. 34. Compete ao CCHA:
(…)
IV – requisitar dos órgãos e das entidades públicas federais responsáveis as informações cadastrais, contábeis e financeiras necessárias à apuração, ao crédito dos valores referidos no art. 29 e à identificação das pessoas beneficiárias dos honorários;
(…)
§ 5º A Advocacia-Geral da União, o Ministério da Fazenda, as autarquias e as fundações públicas prestarão ao CCHA o auxílio técnico necessário para a apuração, o recolhimento e o crédito dos valores discriminados no art. 30.
§ 6º Incumbe à Advocacia-Geral da União prestar apoio administrativo ao CCHA.

Como pode ser observado, compete à AGU prestar auxílio técnico e apoio administrativo ao CCHA para apuração e recolhimento dos honorários sucumbenciais devidos pelos perdedores de processos judiciais dos quais a União suas autarquias e fundações são parte.

A contribuição do CCHA ocorre por meio de doação com encargo consistente em colocar em produção as novas APIs solicitadas, assegurando que funcionem de forma contínua, sem prejudicar a operação dos outros módulos do Super Sapiens. Esse tipo de doação é autorizada pelo Decreto nº 9.764/2019, que disciplina o recebimento de doações de bens móveis e de serviços de pessoas físicas ou jurídicas de direito privado pelos órgãos e pelas entidades da administração pública federal direta, autárquica e fundacional.

O CCHA é entidade privada, conforme expresso em diversas decisões judiciais e na Portaria AGU nº 493/2023:

Art. 2° O CCHA, ente de direito privado sem fins lucrativos e vinculado à Advocacia-Geral da União, não pertencente à Administração Pública, atua em regime de cooperação com o Poder Público, na execução das atividades de interesse público previstas no Capítulo XV da Lei n° 13.327, de 2016, relacionadas à operacionalização do crédito e à distribuição dos valores decorrentes dos honorários advocatícios de sucumbência das causas em que forem parte a União, as autarquias e fundações públicas federais.

O CCHA funciona, portanto, sob o regime de direito privado, e é responsável pela administração do fundo constituído pelos valores arrecadados a título de honorários sucumbenciais nas causas em que, como mencionado, a União, suas autarquias e fundações são parte.

A atualização da infraestrutura de hardware da AGU decorrente dos recursos doados pelo CCHA resultará, ao final, no aprimoramento da sistemática de cobrança e arrecadação dos honorários sucumbenciais. Essa melhora se dará, entre outros aspectos, com o incremento da base de dados e do sistema de gestão de pessoas, com a redução de custos da operação de gestão dos honorários.

Esses e outros aprimoramentos fazem parte de acordo de cooperação técnica em vigor entre a AGU e o CCHA cujo objeto é, exatamente, a adoção de esforços comuns para implementação de sistemas que resultem na melhoria de atuação consultiva, judicial e extrajudicial da AGU e no mecanismo de arrecadação e automatização dos processos de trabalho relacionados ao rateio dos honorários, tal como expresso na Lei n° 13.327/2016“.



Fonte: Só Notícias

Comentários
Continue Reading
Advertisement Enter ad code here

MATO GROSSO

Advertisement Enter ad code here

POLÍCIA

Advertisement Enter ad code here

CIDADES

Advertisement Enter ad code here

POLÍTICA

Advertisement Enter ad code here

SAÚDE

As mais lidas da semana