MATO GROSSO
Após reabilitação, Sema realiza transporte de animais silvestres para santuário em Minas Gerais
Um tamanduá-bandeira de um ano de idade, um tuiuiú que foi submetido à amputação após graves fraturas nas asas e uma iguana sem uma das patas traseiras fazem parte de um grupo de quatorze animais silvestres que receberam tratamento clínico-veterinário e foram encaminhados, nesta semana, pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) para o Santuário Onça Pintada, localizado em Minas Gerais.
O grupo incluiu ainda dois ouriços-pigmeus-africanos, dois ouriços-cacheiros, um papagaio e seis jacarés-do-Pantanal, todos eles albinos e que estavam na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), sob tutela do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Nenhum deles teria condições de voltar à natureza.
O criadouro conservacionista é referência nacional na preservação de espécies, especialmente do Cerrado, e o translado foi realizado pela Coordenadoria de Fauna e Recursos Pesqueiros da Sema. A viagem durou 22 horas.
“A importância desses animais estarem no santuário tem um caráter individualista, que prioriza salvar a vida de cada um deles como indivíduos, mas também existe a preocupação de caráter coletivo, isto é, pela manutenção da variabilidade genética das espécies mantidas em um centro conservacionista”, destacou a veterinária e residente técnica da Gerência de Fauna da Sema, Ana Laura Karlinski.
O propósito do santuário de conservar a fauna brasileira é afirmado por meio da inserção desses animais em trabalhos de banco genético para reprodução. Exemplo disso é o tamanduá-bandeira, um dos transportados, que já possuía parceira antes mesmo de chegar ao local, pois a fêmea vive na unidade.
“Esses animais são representantes de espécies e têm um papel indireto na conservação. Cada animal conta uma história própria e isso, para a educação ambiental da população, torna-se tão ou mais importante do que a reprodução”, observou o gerente de Fauna da Sema, Marlon Gallina.
Ele conta que o tamanduá-bandeira foi resgatado em 18 de novembro de 2024, com apenas 5 dias de vida, ainda apresentando parte do cordão umbilical. O filhote precisou de atendimento clínico-veterinário intensivo até que seu quadro se estabilizasse, visto que estava desidratado, desnutrido, hipotérmico, apático e sem reflexo de sucção para amamentação. O animal ficou sob os cuidados constantes da residente técnica da Gerência de Fauna da Sema, Ana Laura, e de Danielle Ferreira, residente do Hospital Veterinário da UFMT (HOVET).
Já o tuiuiú foi resgatado em Várzea Grande, no dia 9 de outubro, com graves fraturas nas asas que necessitaram amputação, impossibilitando a soltura da ave. Da mesma forma, a iguana passou por procedimento de retirada de uma das patas traseiras, após ser resgatada em 31 de julho.
Os dois ouriços-pigmeus-africanos são considerados mamíferos exóticos e foram obtidos de apreensões do órgão ambiental, assim como o papagaio. O ouriço-cacheiro foi resgatado ainda filhote, e a fêmea foi encontrada por um morador de Poconé e entregue à Sema já adulta.
Os jacarés albinos estavam no Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Silvestres (CEMPAS) da UFMT, sob a tutela do Ibama, e também foram transferidos ao santuário pela Sema.
*Com supervisão da jornalista Clênia Goreth
Fonte: Governo MT – MT
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