POLÍTICA
Juiz reclama de atraso da PF e retira cautelares de ex-secretrio de EP
O juiz da 5ª Vara Federal de Mato Grosso, Jeferson Schneider, revogou as medidas cautelares sofridas pelo ex-secretário de saúde de Cuiabá, Célio Rodrigues da Silva. Ele é alvo da operação “Cupincha”, que apura supostas irregularidades na secretaria de saúde da Capital, na gestão do ex-prefeito Emanuel Pinheiro.
Na decisão, publicada nesta terça-feira (1º de julho), o juiz revelou que o inquérito que aponta um suposto esquema que teria movimentado R$ 100 milhões nos anos de 2019 e 2021 – entre suspeitas de licitações “simuladas” e “lavagem de dinheiro” -, está por um fio. Passados 4 anos da operação, conforme o magistrado, o futuro da investigação é “incerto”, tendo em vista que a Polícia Federal ainda não concluiu o inquérito.
Também se beneficiaram do fim das medidas cautelares o empresário Liandro Ventura da Silva e Paulo Roberto de Souza Jamur, sócio do ex-secretário Célio Rodrigues da Silva, que também é empresário do ramo de bebidas. “Ante o exposto, diante do verificado excesso de prazo para a conclusão das investigações, revogo as medidas cautelares restritivas de liberdade decretadas em desfavor dos investigados, isto é, proibição de manter contato com os demais investigados; comparecimento mensal em juízo para informar e justificar suas atividades; proibição de ausentar-se da seção judiciária onde reside, por mais de 10 dias, sem prévia autorização do juízo; e recolhimento de seu passaporte”, determinou o magistrado.
A demora para a conclusão do inquérito geralmente indica que os órgãos de controle não conseguiram confirmar as suspeitas iniciais das investigações. A operação “Cupincha”, segunda fase da operação “Curare”, foi deflagrada pela Polícia Federal e tem como um dos alvos a cervejaria Cuyabana.
Além de fazer parte de um esquema de lavagem de dinheiro na secretaria municipal de saúde de Cuiabá, a própria compra da empresa, em fevereiro de 2021, pode ter sido concretizada com recursos desviados da pasta. O delegado da Delegacia Especializada em Combate a Corrupção da Polícia Federal (Delecor), Charles Vinicius Cabral, preside o inquérito da operação “Cupincha”, e admitiu que a cervejaria Cuyabana pode ter sido adquirida como mais um dos atos de lavagem de dinheiro do esquema.
O delegado sugere que, além de Cuiabá, outras cidades também poderiam fazer parte do esquema. Nesse sentido, empresas de Curitiba (PR) seriam alvos da investigação, tendo em vista que o empresário Paulo Roberto de Souza Jamur, que também foi preso na operação, seria uma espécie de sócio oculto da Cuyabana – atribuída a Célio Rodrigues da Silva.
As investigações apontam, ainda, que a Cervejaria Cuyabana estaria no nome de dois “laranjas” – a empresária Joany Costa, esposa de Célio Rodirgues, e também Liandro Ventura.
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