OPINIÃO

A Capoeira da resistncia cultural ao protagonismo global

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Flavio Amaral

 

A capoeira é uma das expressões mais genuínas da cultura brasileira. Nascida da resistência, forjada na luta e no ritmo dos que buscavam liberdade, ela atravessou séculos carregando consigo não apenas movimentos corporais, mas histórias, ancestralidade e identidade.

Hoje, essa manifestação cultural que já foi perseguida e marginalizada, conquista espaço e respeito nos palcos do mundo. A capoeira evoluiu – e essa transformação não a afastou de suas raízes; ao contrário, ampliou seu alcance, sem abrir mão da tradição.

Das rodas nas senzalas às arenas internacionais

A origem da capoeira remonta ao período da escravidão, quando os africanos trazidos ao Brasil usavam os movimentos disfarçados de dança como forma de treino de combate e expressão de resistência. Com o passar do tempo, a prática se adaptou, sobreviveu à repressão e se fortaleceu como símbolo da cultura afro-brasileira.

Hoje, a capoeira está presente em mais de 160 países. O que antes era visto como folclore, hoje é entendido como patrimônio cultural, ferramenta de inclusão, instrumento educacional e, cada vez mais, um esporte de alto nível competitivo.

Capoeira e o olhar empreendedor

A globalização e a profissionalização da capoeira trouxeram novas possibilidades. Sem perder sua alma, a capoeira ganha uma nova roupagem empreendedora. Mestres e atletas agora geram renda, constroem carreiras internacionais, promovem eventos, desenvolvem produtos, e utilizam estratégias de marketing esportivo para expandir sua arte.

É nesse contexto que surge o Volta ao Mundo Bambas, um evento internacional que promove a capoeira em formato competitivo, com respeito à tradição e excelência na performance. Mais do que disputa, o VMB é um ponto de encontro: reúne atletas, mestres, fãs e parceiros em torno da valorização e do fortalecimento da capoeira enquanto manifestação cultural, esporte e empreendimento.

O novo protagonismo da capoeira

A nova geração de capoeiristas assume, com orgulho, o protagonismo desse movimento. Jovens que antes viam a capoeira apenas como lazer, agora a enxergam como oportunidade: de se destacar no cenário internacional, de viver da arte, de empreender com propósito e de representar uma herança cultural com responsabilidade.

A capoeira continua sendo resistência, mas agora também é palco, microfone, câmera e mercado. É identidade com estratégia, tradição com inovação, cultura com visão de futuro.

O mundo olha para a capoeira com outros olhos. E nós, que fazemos parte dessa trajetória, temos a missão de conduzi-la com o mesmo respeito de sempre – mas com a força e a estrutura que o tempo e o reconhecimento finalmente permitiram.

Flávio Amaral é jornalista e apresentador oficial do Volta ao Mundo Bambas





Fontee: Folhamax

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