POLÍTICA
Cooperativa cobra R$ 2,3 milhões de lobista de venda de sentença
O lobista e empresário de Mato Grosso, Andreson de Oliveira Gonçalves, foi processado pela Cooperativa de Crédito Sicredi Ouro Verde MT, que cobra o pagamento de R$ 2,3 milhões. O montante é referente a quatro contratos de financiamento firmados por ele, que está inadimplente, junto a instituição financeira, sediada em Lucas do Rio Verde.
Andreson de Oliveira Gonçalves foi um dos alvos da Operação Sisamnes, onde ele é suspeito de atuar em um esquema de venda de sentenças no judiciário mato-grossense e no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O caso foi revelado após a extração dos dados do celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023. Ele está preso desde novembro de 2024, em um presídio federal, em Brasília (DF).
Conforme apontado pelos investigadores, Andreson atuava como intermediador de decisões judiciais e acessos privilegiados a informações sigilosas, por meio de contatos com assessores de ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Esta atuação resultava em benefícios ao advogado Roberto Zampieri e em pagamentos de propinas aos servidores envolvidos.
Ao todo, foram movidas quatro ações pelo Sicredi, sendo uma monitória, que tramita na Primeira Vara Especializada em Direito Bancário de Cuiabá, uma de execução de título extrajudicial, na Vara Única de Poconé, local onde também foi proposta uma ação monitória. Todos os processos foram protocolados pela instituição financeira no mês de maio.
Além de Andreson de Oliveira Gonçalves, são réus nos processos a esposa do lobista, Mirian Ribeiro Rodrigues de Mello e a empresa Biodiesel Pantanal Industria e Comercio Ltda – ME. Nos autos, a cooperativa aponta dívidas do lobista que ultrapassam os R$ 2,3 milhões, referentes a Cédula de Crédito Bancário (CDB), um tipo de contrato de financiamento bancário.
Ao todo, são quatro contratos, sendo um de R$ 103.619,43, outro de R$ 108 mil, um terceiro, de R$ 465.426,24, além do maior deles, de R$ 1.642.392,73, montante que, somado, supera os R$ 2,3 milhões. A cooperativa aponta nos autos que o lobista, assim como a empresa, está inadimplente em relação aos financiamentos.
Andreson de Oliveira Gonçalves, que estaria negociando um acordo de colaboração premiada, teve contas e bens bloqueados, num total de R$ 10 milhões, à ocasião da deflagração da Operação Sisamnes.
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