POLÍTICA
Universalizar saneamento exige decisão política, diz Marina Silva
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou nesta 2ª feira (26.mai.2025) que, para o Brasil cumprir a meta de universalização do saneamento básico até 2030, é necessário ir além do que já está previsto em lei.
“É preciso decisão política. É necessário priorizar essa decisão, garantir que essas prioridades se reflitam em indicadores de esforço e se materializem em recursos financeiros, humanos e ecológicos, em capacidade de articulação e em uma visão prospectiva e de inovação tecnológica”, declarou Marina.
A fala se deu durante a palestra magna no 33º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, realizado em Brasília. A ministra disse que o país precisa colocar o tema no centro da agenda nacional: “Saneamento básico é falar de saúde, de desenvolvimento, de geração de emprego e renda. É também falar de melhoria da educação para nossas crianças”.
Segundo o Painel do Saneamento, do Instituto Trata Brasil, quase 16% da população brasileira não tem acesso à água potável, e quase metade (44,5%) vive sem coleta de esgoto. Os dados são de 2021, os mais recentes disponíveis, com base no SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento).
Para Marina, enfrentar esse cenário demanda um grande esforço de articulação entre os setores público e privado, a sociedade civil e a comunidade científica, a fim de transformar leis em ações concretas com benefícios econômicos, sociais, ambientais, culturais e até civilizatórios.
“Quero ver os indicadores de esforço refletidos não só na atuação dos Executivos – federal, estadual e municipal –, mas também no Congresso Nacional, que aprova as leis e dispõe de emendas impositivas que somam bilhões de reais”, afirmou.
Durante o evento, a ABES (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental) lançou o Espaço COP Saneamento, iniciativa que busca reunir modelos e inovações do setor alinhados à agenda climática.
“O setor de saneamento está colaborando com os governos, especialmente com o federal, para organizar essa contribuição. A água é por onde as mudanças climáticas se manifestam, seja pela escassez, seja pelo excesso”, disse o presidente nacional da ABES, Marcel Costa Sanches.
A proposta é apresentar uma plataforma de soluções sustentáveis na COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), que será realizada em novembro, em Belém (PA).
“O Espaço COP nasce como uma plataforma estratégica para mostrar como o saneamento contribui, na prática, para os desafios climáticos globais e para o desenvolvimento sustentável do país”, declarou Sanches.
Para Marina, não é possível falar em justiça climática sem tratar da justiça hídrica e do acesso à água tratada e ao saneamento básico.
“Não há como combater a mudança do clima sem enfrentar diferentes vetores. O saneamento contribui significativamente para a redução das emissões de metano, além de possibilitar a produção de energia limpa e renovável, com geração distribuída. O tratamento de resíduos também pode ser fonte de energia limpa”, afirmou a ministra.
Com informações de Agência Brasil.
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