POLÍCIA
Bando que furtou caixa eletrônico em prefeitura já havia arrombado outros terminais bancários
A Polícia Civil de Mato Grosso identificou outros crimes cometidos pelo grupo criminoso que arrombou e furtou um terminal de autoatendimento do Banco Bradesco instalado na Prefeitura de Sorriso (a 400 km de Cuiabá). As investigações apontaram o envolvimento do grupo em outras sete ocorrências de furto a caixas eletrônicos, além da prática de lavagem de dinheiro.
O grupo foi alvo de ordens judiciais concedidas no âmbito da Operação Chave Mestra, deflagrada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e Delegacia de Sorriso na última quarta-feira (14).
Conforme apurou a Polícia Civil, depois de cometerem o furto qualificado de R$ 300 mil do caixa eletrônico em Sorriso, no dia 22 de agosto do ano passado, os criminosos pernoitaram na cidade de Sinop, onde, no dia seguinte, fizeram diversos depósitos bancários, em diferentes agências do município, beneficiando pessoas “laranjas”. O objetivo era retornar para o Estado de São Paulo sem o dinheiro roubado.

Ao todo foram realizados 39 depósitos em envelopes nos terminais de autoatendimento das agências em Sinop, para diferentes destinatários, sendo todos da cidade de Mauá (SP), onde o grupo criminoso locou o veículo Fiat Argo, utilizado para cometerem o crime.
Após os depósitos para ocultar a quantia subtraída em Sorriso, o grupo criminoso retornou para São Paulo no final do dia.
Divisões de tarefas
As diligências investigativas possibilitaram a identificação da atuação do grupo e as funções desempenhadas por cada um integrante.
O primeiro núcleo, comandado pelo líder e financeiro, foi responsável pelas ordens e pagamento das despesas da viagem, tais como hospedagem, abastecimento, alimentação, aquisição de ferramentas, dentre outras, além da disponibilização do veículo empregado na ação.
Já núcleo de logística foi responsável por proporcionar o deslocamento dos integrantes de Mauá até os municípios de Sorriso e Sinop. Além da locação do veículo Fiat Argo, e também pela instalação da TAG veicular de passagem pelos pedágios de forma contínua e ininterrupta, de maneira a tornar a viagem mais rápida e tentar fazer o deslocamento passar despercebido, sem parar nas cancelas das praças dos pedágios.

Apesar desse segundo núcleo de pessoas não ter deslocado até Mato Grosso, os integrantes do núcleo foram fundamentais para a consumação da empreitada criminosa.
Foi identificado que a mulher que fez a locação do carro em São Paulo é mãe do líder do grupo criminoso, e foi quem repassou o carro para o filho executar o crime.
Outro alvo da operação foi um homem responsável pela aquisição da TAG veicular. Ele extensa ficha criminal em São Paulo, com condenações por roubo nas Justiças Estadual e Federal.
O núcleo de execução foi responsável por agir diretamente no furto. São os quatro indivíduos que deslocaram de Mauá até Sorriso, onde cada um desempenhou uma função específica e com tarefas bem definidas na empreitada.

Por fim, o núcleo da lavagem de dinheiro foi responsável por receber os valores ilícitos nas respectivas contas bancárias e ocultar o dinheiro furtado.
Medidas cautelares
Diante dos crimes cometidos pela organização criminosa, de lavagem de dinheiro e furto qualificado, foram necessárias a adoção das medidas cautelares de quebra do sigilo telefônico, quebra do sigilo de dados telemáticos e quebra do sigilo bancário.
Os mandados de prisão, busca e apreensão, e sequestro de bens e valores, foram cumpridos nesta quarta-feira (14), na Operação Chave Mestra.
Calendários de crimes
As investigações da Polícia Civil apontaram o envolvimento do mesmo grupo criminoso em outras sete ocorrências de furto a caixas eletrônicos, nos anos de 2024 e 2025.
Os locais foram em julho de 2024 na cidade de Santa Luzia (MG); agosto de 2024 em Sorriso (MT); novembro de 2024 em Embu das Artes (SP); janeiro de 2025 em Boituva (SP); janeiro de 2025 em Caconde (SP); janeiro de 2025 em Araraquara (SP); e março de 2025 Avaré (SP).
Essas crimes foram descobertos pela Polícia Civil de Mato Grosso a partir das investigações para esclarecer o furto em Sorriso.
As ações serão apuradas pelas Polícias Civis de cada estado, de acordo com as áreas circunscricional.
As provas coletadas no inquérito da GCCO serão compartilhadas com as demais delegacias, mediante autorização judicial, visando subsidiar as respectivas investigações.
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