Sorriso
Educadores passam por formação prática em Justiça Restaurativa
Buscando dar voz aos participantes, promover igualdade nas falas e resgatar a cultura do diálogo e da pacificação social.
A busca por ambientes mais harmoniosos dentro das escolas tem ganhado cada vez mais espaço, e iniciativas como a formação em Justiça Restaurativa mostram que o caminho passa, antes de tudo, pelo diálogo. Nesse contexto, educadores da rede municipal de ensino participam, durante três dias, do Programa de Formação em Justiça Restaurativa, que chegou ao Módulo III – Formação Prática, preparando facilitadores de círculos de construção de paz.
Nas escolas, essa prática tem se mostrado cada vez mais necessária. A metodologia, que já vem demonstrando eficiência em diversos cenários, inclusive no ambiente familiar, busca dar voz aos participantes, promover igualdade nas falas e resgatar a cultura do diálogo e da pacificação social. A proposta é formar novas gerações capazes de lidar com conflitos de forma mais humana e responsável.
A professora Aline Demarqui é uma dessas vozes que encontrou, nessa abordagem, uma nova forma de enxergar os conflitos, em meio aos desafios diários vividos no âmbito escolar.
“Eu já tinha ouvido falar por colegas, mas nunca tinha participado. Quando vivi isso na prática, me apaixonei”, conta. Segundo ela, o grande diferencial está na forma como os conflitos são conduzidos. “A gente entende que nem sempre existe um certo e um errado. Existem histórias, sentimentos e pontos de vista que precisam ser ouvidos, e é muito gratificante ver quando as pessoas conseguem se entender e continuar convivendo bem”, ressalta Aline.
A ação é resultado de uma parceria entre a Prefeitura de Sorriso, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), e o Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur), além do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSC) da Comarca de Sorriso. Essas iniciativas são fomentadas pela Resolução nº 225/2016 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que incentiva a aplicação dessas práticas em parceria com tribunais, comunidades e redes locais de proteção de direitos.
No município, a iniciativa também está alinhada à Lei Municipal nº 3.366, de 26 de abril de 2023, que instituiu o Programa Municipal de Práticas de Construção de Paz nas Escolas, fortalecendo ainda mais a presença dessa cultura dentro das unidades de ensino. Os círculos de construção de paz, nesse aspecto, surgem como uma ferramenta essencial da Justiça Restaurativa.
Rauny Lima, assessor de relações institucionais do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur), é quem está conduzindo a formação e acompanhando os participantes nesse processo de aprendizado e prática. Ele pontua que, ao longo dos encontros, os educadores aprendem e vivenciam, na prática, situações muito próximas da realidade que enfrentam todos os dias.
“Nesse processo, passam a compreender e conduzir os chamados círculos de construção de paz, espaços cuidadosamente organizados para promover escuta, diálogo e reconstrução das relações. Mais do que uma capacitação, a formação se transforma em uma experiência capaz de ampliar o olhar de quem vive o cotidiano escolar, despertando novas formas de lidar com conflitos e fortalecendo vínculos dentro e fora da sala de aula”, frisa Rauny.
Situações como desentendimentos, conflitos recorrentes e dificuldades nas relações também fazem parte da realidade escolar e exigem novas formas de abordagem. Muitos alunos chegam carregando questões de fora e, muitas vezes, não sabem como lidar com tudo isso — o que acaba se refletindo dentro da sala de aula. Para a coordenadora do Programa Círculo de Paz, Ana Reni, aprender a mediar esses momentos por meio do diálogo é essencial e faz toda a diferença na construção de um ambiente mais equilibrado e acolhedor.
“A gente percebe que é possível resolver sem briga, sem afastamento, sem criar mais dor. Em tempos em que os conflitos parecem cada vez mais intensos, experiências como essa mostram que o diálogo ainda é uma das ferramentas mais eficazes para transformar realidades — começando, muitas vezes, dentro da própria sala de aula”, reitera.
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