AGRICULTURA
Crédito rural emperrado obriga recorrer a consultorias e cooperativas
Produtores rurais estão tendo que recorrer cada vez mais a consultorias especializadas e às cooperativas para obter crédito e dar sequencia ao plantio da safra, por conta da dificuldade de acesso às linhas oficiais de financiamento.
Por exemplo, os R$ 12 bilhões em linha de crédito para renegociação de dívidas (criada pela Medida Provisória 1.314/2025) estão no BNDES, mas inacessível por conta de divergências entre Ministério da Agricultura e Tesouro Nacional e atrasos no orçamento federal (veja aqui). A consequência? Muitos agricultores viram-se obrigados a renegociar dívidas, adiar investimentos e buscar alternativas fora do sistema bancário tradicional.
Neste cenário, a atuação das consultorias financeiras passou a ser decisiva. Segundo especialistas, cerca de 76% das operações recentes envolvem intervenção quitante — quando uma nova linha de crédito é usada para quitar uma dívida anterior, geralmente em condições mais vantajosas. Exemplo disso é o produtor que troca um financiamento bancário de 16% ao ano por opções com juros mais baixos, prazos estendidos e pagamentos semestrais ou anuais, ajustados ao ciclo da produção. Essa estrutura permite controlar o fluxo de caixa, reduzir custos e retomar investimentos no campo.
Ao mesmo tempo, cooperativas rurais e novas plataformas digitais vêm ganhando espaço como canais de crédito alternativo. O volume de Cédulas de Produto Rural (CPRs), títulos usados para formalizar garantias, disparou nos últimos meses, marcando um recorde de 47% de crescimento em setembro. A busca por taxas menores levou muitos produtores a adequar os planos financeiros do segundo semestre, ampliando o uso de consórcios rurais e fundos de investimento.
Mesmo com uma inadimplência relativamente estável na população rural, o setor aponta queda de até 22% nos recursos liberados para o ciclo atual frente ao anterior. Para o agronegócio, previsibilidade e agilidade nas liberações continuam sendo vitais. A demora na liberação dos R$ 12 bilhões ressalta os desafios e reforça a importância de ampliar as opções de crédito para manter o ritmo da produção e evitar o agravamento do endividamento no campo.
Fonte: Pensar Agro
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