OPINIÃO

Gordura no fgado: uma doena silenciosa que agora tem novos aliados no tratamento

Published

on


Mariana Ramos

 

A Doença Hepática Esteatótica Metabólica (DHem), popularmente conhecida como esteatose hepática ou gordura no fígado, é uma condição que vem crescendo silenciosamente entre os brasileiros. Estima-se que cerca de 25% da população mundial possa estar afetada, muitas vezes sem sequer perceber.

Caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura nas células do fígado, essa condição está diretamente associada a distúrbios metabólicos como obesidade, resistência à insulina, diabetes tipo 2 e dislipidemia. Com a mudança nos hábitos alimentares e o aumento do sedentarismo, os casos têm se tornado cada vez mais comuns.

As principais causas e fatores de risco são: excesso de peso e obesidade, diabetes tipo 2 ou resistência à insulina, colesterol ou triglicerídeos elevados, dieta rica em gorduras e açúcares, sedentarismo e histórico familiar.

A grande maioria dos pacientes com esteatose hepática não apresenta sintomas nas fases iniciais. Em alguns casos, podem surgir fadiga, mal-estar abdominal ou desconforto no lado direito do abdômen. O diagnóstico costuma ser feito por meio de exames de imagem, como ultrassonografia, e exames laboratoriais que avaliam o funcionamento do fígado.

Quando não há intervenção adequada, a esteatose pode progredir e causar inflamação crônica no fígado, levando à esteato-hepatite, fibrose e, em estágios avançados, cirrose hepática ou até câncer de fígado.

Até pouco tempo, a principal recomendação era a adoção de um estilo de vida saudável: perda de peso, reeducação alimentar e prática regular de atividades físicas. Essas medidas continuam sendo a base do tratamento. No entanto, novos medicamentos têm se mostrado promissores no controle da esteatose, especialmente em pacientes com sobrepeso e diabetes.

Avanços no combate à gordura no fígado

Ambas são medicações originalmente utilizadas no tratamento do diabetes tipo 2 e, mais recentemente, na obesidade. No entanto, estudos clínicos vêm demonstrando que tanto a semaglutida quanto a tirzepatida promovem redução significativa da gordura hepática, além de melhorarem a sensibilidade à insulina e contribuírem para a perda de peso – fatores essenciais no controle da DHem.

Esses medicamentos pertencem à classe dos agonistas de GLP-1 (no caso da semaglutida) e agonistas duplos de GLP-1 e GIP (no caso da tirzepatida), e atuam diretamente na regulação do apetite, metabolismo e resposta inflamatória do organismo.

Perspectivas futuras

A ciência tem avançado rapidamente, e hoje conseguimos oferecer aos pacientes mais do que apenas orientações gerais: há opções terapêuticas concretas e eficazes. O mais importante é que o diagnóstico seja feito precocemente e que cada paciente seja acompanhado de forma individualizada.

A esteatose hepática é uma doença séria, mas que pode ser prevenida e controlada. O papel do endocrinologista é fundamental na identificação precoce, orientação nutricional e prescrição dos tratamentos mais adequados a cada caso.

O mais importante é lembrar: fígado saudável é sinônimo de saúde metabólica e qualidade de vida.

Dra. Mariana Ramos é endocrinologista na Fetal Care, em Cuiabá (MT).





Fontee: Folhamax

Comentários
Continue Reading
Advertisement Enter ad code here

MATO GROSSO

Advertisement Enter ad code here

POLÍCIA

Advertisement Enter ad code here

CIDADES

Advertisement Enter ad code here

POLÍTICA

Advertisement Enter ad code here

SAÚDE

As mais lidas da semana