OPINIÃO

Tirzepatida: um novo aliado no combate obesidade

Published

on


Arnaldo Sérgio Patrício.jpg

 

A recente aprovação do medicamento Mounjaro (tirzepatida) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento da obesidade representa um marco importante na saúde pública brasileira. Trata-se de um avanço científico que merece não apenas reconhecimento, mas também uma reflexão cuidadosa sobre os caminhos que temos percorrido no enfrentamento de uma das condições mais desafiadoras da atualidade.

O Mounjaro, originalmente indicado para o tratamento do diabetes tipo 2, agora pode ser prescrito para indivíduos com índice de massa corporal (IMC) acima de 30 kg/m², ou acima de 27 kg/m² para aqueles com comorbidades associadas e mostrou-se extremamente eficaz na indução à perda de peso, com resultados que se aproximam daqueles obtidos por meio de cirurgias bariátricas. Uma média de 22,8 kg a menos é algo expressivo e não pode ser ignorado. É uma conquista que, se bem utilizada, pode significar a diferença entre uma vida de limitações e uma vida com mais saúde, autonomia e dignidade.

A tirzepatida é um medicamento injetável que atua como um agonista dos receptores GLP-1 e GIP. Essas substâncias desempenham papéis cruciais na regulação dos níveis de açúcar no sangue, estimulando a liberação de insulina e diminuindo a produção de glucagon. Além de controlar a glicemia, tem se mostrado eficaz na promoção da perda de peso, ajudando a reduzir o apetite e retardando a passagem dos alimentos do estômago para o intestino delgado.

No entanto, é preciso cautela, a excitação não pode nos fazer esquecer que medicamentos não são soluções mágicas. A tirzepatida, por mais promissora que seja, deve ser vista como parte de um conjunto de estratégias que envolve acompanhamento médico, mudanças de estilo de vida, apoio psicológico e educação em saúde. A medicalização isolada, sem uma abordagem integrada, corre o risco de repetir erros do passado.

A aprovação da tirzepatida pela Anvisa é, sim, uma boa notícia. Nesse contexto, a chegada de medicamentos inovadores como a tirzepatida reforça a importância de tratarmos a obesidade com a seriedade e a complexidade que ela exige. Hoje compreendemos a obesidade como uma doença crônica, multifatorial, influenciada por aspectos genéticos, metabólicos, emocionais e sociais.

Arnaldo Sérgio Patrício é Especialista em Medicina Interna e Radiologia e atende como médico responsável pela Unidade de Nutrição do Hospital São Judas em Cuiabá Instagram @arnaldosergio





Fontee: Folhamax

Comentários
Continue Reading
Advertisement Enter ad code here

MATO GROSSO

Advertisement Enter ad code here

POLÍCIA

Advertisement Enter ad code here

CIDADES

Advertisement Enter ad code here

POLÍTICA

Advertisement Enter ad code here

SAÚDE

As mais lidas da semana