OPINIÃO

Libido aos 40+: o desejo no tem prazo de validade

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Existe um mito silencioso — mas muito poderoso — que ronda a sexualidade feminina: o de que, ao chegar aos 40, o desejo começa a se apagar. Como se a libido tivesse data de validade. Como se o prazer fosse um privilégio da juventude. Mas escute com carinho: não é assim.

Aos 40, a mulher não está “desligando” do próprio corpo. Está, na verdade, se reconectando com ele. Com mais clareza, com menos pressa, com mais autonomia. É verdade que, para muitas, o desejo muda. Às vezes ele diminui, sim. Mas muitas vezes, ele apenas ganha um novo ritmo — mais lento, mais profundo, mais inteiro.

É nessa fase que o corpo começa a sinalizar transições: os hormônios flutuam, o sono pode ficar mais difícil, a lubrificação já não é mais como antes. E isso tudo tem impacto na libido. Mas o desejo não some — ele só precisa ser olhado com mais escuta e menos culpa.

Cansaço, excesso de tarefas, falta de tempo para si mesma: tudo isso pesa. A mente precisa estar presente para o corpo poder sentir. Por isso, antes de pensar em soluções prontas ou em fórmulas mágicas, vale se perguntar: quando foi a última vez que você cuidou de si mesma sem culpa? Quando foi a última vez que você disse “sim” para o seu próprio prazer?

Hoje, há recursos importantes — e legítimos — que podem ajudar: terapia hormonal, exercícios físicos, alimentação, sono, terapia sexual, conversas francas com o parceiro (ou com você mesma). Mas o primeiro passo é sempre o mesmo: reconhecer que você merece desejar e ser desejada. Mesmo — e especialmente — depois dos 40.

Porque a libido da mulher madura não desaparece. Ela muda. Fica mais seletiva, mais emocional, mais profunda. E tudo bem. O que não dá é para aceitar que o mundo continue dizendo quando ou como você deve sentir prazer.

O desejo não é um capítulo da juventude. É uma linguagem da vida inteira. E quando a mulher entende isso, ela não só redescobre o prazer — ela se redescobre inteira.

Dra. Bruna Ghetti é médica ginecologista, referência em saúde íntima e longevidade feminina





Fontee: Folhamax

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