OPINIÃO

J Nascemos Prontos | FOLHAMAX

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Wilson Carlos Fuah

 

Desde o nascimento, independentemente da classe social em que viemos ao mundo, carregamos conosco um bem imensurável: a influência formadora dos nossos pais. São eles os primeiros a nos apontar os caminhos da honestidade, da virtude e do caráter, muitas vezes sem dizer uma palavra sequer — apenas pelo exemplo silencioso do cotidiano. A vida, por sua vez, assume logo cedo o papel de nossa grande mestra, testando nossa capacidade de aprender e resistir. 

A realidade se impõe desde o corte do cordão umbilical. A partir dali, começamos nossa jornada rumo à independência, desafiados diariamente a conquistar nosso espaço por esforço próprio. Para aqueles que nascem com pouco ou quase nada, o tempo da infância costuma ser abreviado: cresce-se antes da hora, amadurece-se na marra. 

A necessidade precoce de se posicionar diante do mundo impõe outro obstáculo invisível, mas constante — o julgamento alheio. Censuras sociais veladas, muitas vezes disfarçadas em olhares, recaem com mais peso sobre os que vêm das margens. E, ainda assim, é justamente desses que surge a resistência mais firme, moldada não pela comodidade, mas pela urgência de sobreviver e de crescer. 

Na ausência de privilégios, o lazer vira luxo. As brincadeiras são trocadas por responsabilidades, e a infância passa a ser uma etapa comprimida pelo dever. Porém, ao contrário do que muitos pensam, isso não representa um castigo: forja músculos, fortalece a mente e prepara o espírito para os desafios da vida adulta. 

Cada cicatriz emocional, cada dificuldade enfrentada, pode nos transformar em heróis de nós mesmos. E é nesse processo que desenvolvemos valores como humildade e fé — forças invisíveis, mas essenciais para seguir em frente. A cada manhã, somos lembrados das dificuldades, mas também temos a chance de viver a dignidade da superação. 

A grande lição é clara: quem vence batalhas internas desde cedo aprende que o verdadeiro prazer em viver está nas conquistas pessoais — nas pequenas e grandes vitórias que vêm com o esforço, com o suor e com a persistência. 

Sim, nascemos prontos. Não no sentido de já sabermos tudo, mas porque temos, desde o início, a capacidade de aprender, resistir, sonhar e transformar. E é isso que nos leva, mesmo diante das dificuldades, a ocupar com esperança nosso lugar na vida — com a firme expectativa de um futuro melhor, mais justo e mais feliz. 

Wilson Carlos Fuáh – É Especialista em Recursos Humanos e pesquisador das Relações Sociais e Políticas, Graduado em Ciências e Econômicas.

 





Fontee: Folhamax

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