POLÍTICA
Governo deve derrubar IOF sobre risco sacado e manter para crédito
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deve atender ao pedido do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e derrubar o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre o risco sacado.
O Poder360 apurou que a alta do imposto sobre cartões de crédito internacionais deve ser mantida, ao menos em 2025. Haddad deve seguir o caminho indicado por Motta e compensar a renúncia fiscal com medidas estruturais, com efeito a partir de 2026, sobretudo com a revisão e o fim de alguns subsídios tributários.
Por outro lado, outro corte estudado e com efeito imediato nas contas do governo é reduzir o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação. O gasto da União com o Fundeb será de R$ 58,8 bilhões em 2025 –alta de 18,3% em relação a 2024. A ideia é reduzir o ritmo desse crescimento.
Haddad se reuniu na noite de 2ª feira (3.jun.2025) com Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para discutirem o impasse causado pelo decreto que elevou o IOF.
Os congressistas ameaçam votar um PDL (Projeto de Decreto Legislativo) para revogar o decreto se nenhuma medida for tomada pelo Executivo.
Os líderes do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), e no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), também participaram. Haddad chegou à residência oficial da Câmara às 19h33 e saiu por volta das 22h40.
Às 23h05, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, chegou à reunião e deixou o local cerca de uma hora depois.
Nenhum deles quis falar com jornalistas na saída do encontro.
A equipe econômica do governo quer avisar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antes de ele viajar para a França. Lula embarca às 20h desta 3ª feira (4.jun). Segundo apurou este jornal digital, nenhuma decisão será tomada sem o consentimento do chefe do Executivo.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, tem sido a personagem central nesse processo de derrubada, ainda que parcial, do IOF. É ele que tem sido ouvido com frequência por Lula, Alcolumbre, Motta e operadores do mercado financeiro.
Galípolo tem argumentado a favor de derrubar parte do decreto do IOF e anunciar, para valer, as medidas estruturais. O filme de longo prazo ficaria melhor se fossem cortados subsídios ou até discutidas formas de desvincular os gastos com saúde e educação, que têm um piso obrigatório na Constituição.
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