POLÍTICA
Governador diz que aumentar fundo incoerente
O governador Mauro Mendes (União) é crítico ao aumento do fundão eleitoral e classificou o gesto do Congresso como “incoerente”. Ainda assim, os dois deputados do partido por Mato Grosso votaram a favor da medida. “Não fui consultado. Se fosse, teria dito exatamente o que estou dizendo agora: sou contra”, afirmou Mendes, expondo o distanciamento entre sua liderança e a atuação da bancada federal.
Gisela Simona e Coronel Assis, ambos do União Brasil, votaram pela derrubada do veto do presidente Lula e, com isso, ajudaram a liberar um acréscimo de R$ 165 milhões para o fundo eleitoral de 2024. A medida foi aprovada com apoio da maioria do Congresso, inclusive de parlamentares da direita e da base bolsonarista, à qual os dois deputados de Mato Grosso são próximos.
Mauro Mendes, no entanto, criticou duramente a decisão. “O Brasil está gastando dinheiro demais com eleições. Isso não está sendo sadio para a democracia brasileira”, afirmou o governador. Para ele, a ampliação do fundão contradiz o discurso de austeridade feito pelo próprio Congresso, que tem pressionado o governo federal por cortes de despesas.
“Se o Congresso exige corte de gastos do governo federal, como é que ele próprio aumenta despesa?”, questionou. Mendes também alertou para o risco de colapso fiscal: “O próprio tribunal já escreveu e disse: a partir de 2027, o governo federal quebra. E aí quem vai pagar essa conta? Somos todos nós, brasileiros”, declarou.
O governador ainda destacou que os deputados têm autonomia, mas que precisam prestar contas do que fazem. “Eles vão prestar contas sobre isso. E eu tenho que prestar conta o tempo todo sobre o que eu faço ou deixo de fazer”, afirmou. Apesar de presidir o União Brasil em Mato Grosso, Mendes reconheceu que não tem controle direto sobre a atuação da bancada no Congresso.
Dos oito deputados federais do estado, seis votaram pela ampliação: Coronel Assis (União Brasil), Emanuelzinho (MDB), Juarez Costa (MDB), José Medeiros (PL), Nelson Barbudo (PL), Gisela Simona (União Brasil), Rodrigo da Zaeli (PL) e Coronel Fernanda (PL). No Senado, Wellington Fagundes (PL) e Margareth Buzetti (PSD) votaram a favor da ampliação. Jayme Campos (União Brasil) votou em branco.
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