OPINIÃO
Basta de feminicdio! | FOLHAMAX
Mais um feminicídio brutal choca o Brasil. Mais uma mulher assassinada dentro de casa, em seu próprio quarto, enquanto dormia. Mais uma criança, uma menina de apenas sete anos, ferida de forma covarde por quem deveria protegê-la. Falo do caso de Gleici Keli Geraldo de Souza, morta a facadas pelo marido, Daniel Bennemann Frasson, que também tentou matar a filha do casal.
Não há como naturalizar ou silenciar diante de um crime tão bárbaro. Gleici foi vítima do ódio disfarçado de amor, do controle disfarçado de cuidado, da violência que cresce em silêncio até explodir em tragédia. E essa menina, marcada física e emocionalmente por toda a vida, é mais uma entre tantas crianças órfãs do feminicídio.
Casos como este escancaram, de forma cruel, a urgência de um enfrentamento mais firme, mais contundente, mais estruturado contra a violência doméstica e familiar. A dor da família e da sociedade só não é maior que a revolta diante da repetição: mulheres continuam sendo mortas por quem dizia amá-las. E o Estado precisa, sim, responder com rigor, celeridade e prevenção.
Na Câmara Federal, temos trabalhado para fortalecer a legislação, para garantir a efetividade das medidas protetivas, e para ampliar o papel da Procuradoria da Mulher, atualmente sob minha gestão. Mas isso não é suficiente se não houver integração entre os órgãos de segurança, justiça e assistência social. Não basta prender depois do crime: é preciso agir antes que ele aconteça.
É preciso de mais canais de denúncia. Mais rapidez nas respostas. Mais educação para prevenir. E mais estrutura para punir com todo o peso da lei. Feminicídio é assassinato com agravante de a mulher morrer única e exclusivamente por ser mulher: é crime hediondo, é barbárie. E a cada vida perdida, uma sociedade inteira sangra junto.
Não podemos mais aceitar que mulheres e meninas sigam morrendo dentro de suas próprias casas. Minha solidariedade à família de Gleici. Meu apelo às autoridades para que esse crime não caia no esquecimento. E meu compromisso: seguirei lutando, sem descanso, para que nenhuma outra mulher tenha o mesmo destino.
Coronel Fernanda é deputada federal e procuradora da Mulher na Câmara Federal.
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