POLÍTICA
Ex-deputado defende mercadinhos, mas alerta para faces
O presidente da Associação dos Policiais Penais de Mato Grosso, João Batista, defendeu a criação dos chamados “mercadinhos” dentro das unidades prisionais, destacando que a medida foi pensada para reduzir o volume de sacolas trazidas por visitantes, dificultando a entrada de armas e outros itens proibidos. O comércio nas unidades prisionais têm sido alvo de discussões acaloradas há meses e o Estado chegou a proibir a presença dos estabelecimentos, mas o veto foi derrubado pela Assembleia Legislativa.
Segundo ele, no passado, a revista nos materiais levados para as unidades era ineficiente, o que representava um grande risco aos servidores e detentos rivais, já tendo resultado em massacres e homicídios no cárcere, mas este cenário mudou.
“Não foi uma ideia ruim, ao contrário. A ideia era diminuir a quantidade de materiais levados pelos visitantes, que chegavam com sacolas gigantes e sem condições de revista efetiva. Já tivemos situações de armas entrando e sendo usadas para colocar a vida de servidores e outros presos em risco,” disse em entrevista ao Jornal da Cultura FM, no começo desta semana.
Batista explicou que, além de reforçar a segurança, os mercadinhos serviriam para suprir carências deixadas pela logística do Estado, como a entrega de produtos de limpeza e higiene pessoal. O lucro obtido com as vendas seria revertido para melhorias internas, como a construção de torres de segurança e a aquisição de materiais de qualidade para o uso nas unidades.
No entanto, o presidente alertou para a atuação de facções criminosas dentro dos presídios. Ele explicou que, paralelo aos mercadinhos oficiais, grupos criminosos aproveitam falhas do sistema para criar redes ilegais de venda de produtos. As facções fornecem dinheiro para familiares de presos, que compram itens e os revendem ilegalmente dentro dos raios, utilizando a força e a ameaça para dominar o comércio interno.
Batista ressaltou que os mercadinhos oficiais são, em algumas unidades, administrados por conselhos da comunidade ou por associações internas com CNPJ próprio, para garantir a legalidade das operações. Apesar disso, ele reconheceu que há investigações em curso envolvendo possíveis casos de corrupção entre cantinas e servidores, mas afirmou que a maioria dos policiais penais age de forma correta.
O presidente citou como exemplo uma operação recente em Pontes e Lacerda, onde a facção criminosa atuava de forma estruturada na venda de produtos na penitenciária. Ele destacou a necessidade de constante fiscalização para impedir que o crime organizado se aproveite da vulnerabilidade do sistema carcerário.
“O crime tenta se aproveitar de tudo para comandar a massa carcerária. Muitas vezes, o tráfico de drogas domina, e o preso é forçado a se filiar às facções”, explicou.
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