POLÍTICA
COP30: tenho cobrado “com insistência”, diz Helder sobre leitos
O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), disse, em entrevista ao Poder360 na 6ª feira (30.mai.2025), que tem cobrado “com insistência” o governo federal por cerca de 5.000 leitos que seriam disponibilizados em navios atracados nos arredores de Belém para a COP30.
“Tenho cobrado com insistência para que nós possamos, ao invés de ficarmos numa agenda de se justificarmos, apresentar as soluções que existem e que foram planejadas e construídas”, afirmou.
A entrevista foi às margens do Fórum Lide COP30, realizado em Bonito (MS). Helder participou de um dos painéis de discussão e defendeu remuneração justa para os serviços ambientais, capaz de ser atrativa para quem vive nas terras que devem ser protegidas.
O principal gargalo para a realização do evento climático da ONU (Organização das Nações Unidas) em Belém ainda é a oferta de leitos de hotel ou similares para os visitantes do evento na capital paraense em novembro.
Eis a expectativa atualizada do governo do Pará para a capacidade hoteleira da cidade durante a COP30:
A cidade contava com cerca de 12.000 leitos inicialmente e mirava um total de 50.000. À época do anúncio do local do evento, em 2023, o Poder360 mostrou que era preciso quadruplicar a rede hoteleira da cidade.
Destes, segundo o governo do Pará, 4.713, ou seja, quase 10% do total previsto, serão em navios a serem contratados pelo governo federal e atracados em Outeiro, distrito da grande Belém. Segundo o governador, ainda não há previsão concreta de quando a administração de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disponibilizará essas acomodações.
“Disseram, na última semana, que essa semana se concluiria. Agora, estão apenas aguardando uma carta de garantia financeira para que se conclua e se anuncie”, afirmou Helder.
Dada a escassez de leitos e as dinâmicas de mercado, alguns hotéis não estão disponibilizando todos os quartos para reservas. Com isso, os preços cobrados para se hospedar em Belém durante o período do evento dispararam.
Segundo Helder, os navios prometidos pelo Executivo Federal também podem ajudar a lidar com os preços altos da hotelaria na cidade.
“O que nós estamos aguardando e já deveria ter sido concluído é a contratação e a oferta desses leitos para, inclusive, colaborar no sentido de acomodar os preços”, declarou.
De acordo com o governador, a contratação desses leitos está a cargo da Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo) e das empresas prestadoras de serviço: “Isso não está a cargo do governo do Estado”.
Helder declara ainda que não há dúvidas de que há preços abusivos sendo praticados por quem aluga leitos para a COP30. A ideia, nesse caso, é haver mais fiscalização dos órgãos responsáveis pelo direito do consumidor para proteger os visitantes de cobranças indevidas.
“Não tenho nenhuma dúvida de que existem operações e operações. E existem algumas operações que, de fato, extrapolam a razoabilidade e se deve, obviamente, ter atenção a essas que estão excedendo”, disse.
Segundo o governador paraense, também haverá uma plataforma digital para convergir todas as ofertas de leitos e facilitar o acesso a essas hospedagens.
Em 18 de maio, entretanto, o governo reconheceu, em nota ao Poder360, que há um “atraso” na contratação da plataforma gerenciadora de acomodações.
O sistema seria responsável por facilitar a ponte entre quem anuncia seu imóvel ou hotel e o visitante que desembarcará em Belém (PA), em novembro. Entretanto, o Comitê COP30, responsável por organizar a conferência, continua informando que a plataforma está em “fase final de contratação”.
Em janeiro, o secretário extraordinário Valter Correia comparou o status da compra do sistema com a aquisição de uma plataforma oficial da COP30, do governo federal e da ONU (Organização das Nações Unidas), que também estava com o mesmo status de “fase final”.
Naquele momento, Correia comunicou que o programa de hotéis estaria disponível “em menos de 2 meses”. Porém, já se passaram 100 dias e ainda nada foi divulgado.
Apesar de reconhecer uma “demora relativa ao tempo inicialmente previsto”, o comitê organizador da COP30 afirma que o processo “segue no tempo realizado em COPs anteriores”.
Em 2024, na conferência realizada em Baku, no Azerbaijão, a instalação de uma plataforma de hospedagem se deu aproximadamente a 5 meses do evento –mesmo prazo que o Brasil alcançaria se o programa for efetivamente lançado nos próximos dias.
Porém, a diferença entre as organizações é que, apesar de ter registrado reclamações quanto às condições e aos preços de hospedagens, Baku não enfrentava problemas quanto ao número de leitos.
O governador afirmou também durante a entrevista que o planejamento do Estado é ter todas as obras pensadas para o evento já funcionais durante o Círio de Nazaré deste ano, realizado no 2º domingo do mês de outubro.
O Círio é a maior festa do Pará e reúne milhões de pessoas todos os anos em dezenas de procissões e cortejos à Nossa Senhora de Nazaré, padroeira do Estado e da cidade.
“Nós temos um planejamento das obras que estarão prontas a tempo do evento. A nossa expectativa é que possamos estar no Círio de Nazaré, portanto, no 2º domingo de outubro, já com as obras em fase de funcionamento, até para que a própria população e os visitantes do Círio já possam ter essa experiência”, disse.
“Oque eu quero é tranquilizar o Brasil e tranquilizar o mundo, que tudo está dentro do prazo, dentro do planejado e estará tudo em pleno funcionamento para bem acolher aqueles que estarão a visitar”, afirmou Helder.
O repórter Mateus Maia viajou a convite do Lide.
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