OPINIÃO

“Quando a rotina pesa, é hora de olhar para dentro”

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Ariadne Castro Camargo

 

No universo do trabalho, muito se diz sobre metas, produtividade e desempenho, mas pouco se fala sobre as pessoas que estão por trás disso tudo e menos ainda sobre como elas estão se sentindo. Em um mundo em que números parecem ser mais importantes que pessoas, torna-se urgente refletir sobre o quanto esses seres humanos que estruturam a sociedade como um todo importam. 

Hoje em dia não é raro encontrar trabalhadores exaustos, desmotivados e emocionalmente abalados. O ambiente de trabalho, que deveria proporcionar crescimento e sentido, muitas vezes se torna fonte de adoecimento. Isso não acontece de uma hora para outra — é um processo silencioso, marcado por sobrecargas, cobranças excessivas, inseguranças, jornadas longas e a falta de reconhecimento, competitividade, entre outras coisas.

Um dos adoecimentos mais frequentes é a Síndrome de Burnout, oficialmente reconhecida pela OMS como um fenômeno ocupacional. Ela se manifesta por meio de um cansaço extremo, sensação de ineficácia, dificuldade de se conectar com os colegas e perda de prazer no que se faz. É comum que a pessoa se sinta emocionalmente esgotada, com sintomas físicos como dores, insônia e alterações no apetite, além disso, os sintomas emocionais como irritabilidade, tristeza constante, apatia são comuns e talvez menos perceptíveis porque podem ser vistos apenas como mau humor e ignorados como sinais de alerta. Infelizmente, muitas vezes esses sinais são ignorados ou minimizados no ambiente de trabalho ou pela família, o que agrava o estado de adoecimento ainda mais. É preciso aprender a escutar — a si mesmo e aos outros — com mais atenção. 

A boa notícia é que a prevenção é possível. Pequenas mudanças podem fazer muita diferença: respeitar os próprios limites, manter pausas ao longo do dia, separar o tempo de descanso do tempo de trabalho, reconhecer e buscar atividades que tragam bem-estar. Também é essencial voltar-se para si mesmo em busca de elementos que realmente façam sentido, que conduzam a mente para um pensamento mais reflexivo, em busca encontra-se a si mesmo em meio às turbulências. É importante também abrir espaço para o diálogo, ter com quem conversar, sem medo de julgamentos, isso, ainda que pareça simples, já é um passo enorme.

Nesse sentido, o papel do psicólogo nas organizações é essencial, o profissional deve atuar não só em processos seletivos e treinamentos, mas também na promoção de saúde mental e bem-estar no ambiente corporativo. Isso significa, por exemplo,  fazer um mapeamento da saúde, bem-estar e qualidade de vida no trabalho ou ainda identificar  fatores de risco e proteção à saúde do trabalhador bem como desenvolver estratégias de enfrentamento aos riscos psicossociais presentes no ambiente de trabalho. É fundamental implementar ações preventivas, oferecer espaços de escuta e contribuir para relações mais humanas e respeitosas dentro das empresas.

Cuidar da mente não é luxo, é necessidade e não se trata apenas de evitar doenças — trata-se de garantir qualidade de vida. É urgente mudarmos a cultura do “dar conta de tudo” para uma cultura do cuidado, do respeito aos limites e da escuta mútua. Precisamos lembrar que pessoas saudáveis constroem ambientes saudáveis. E ambientes saudáveis geram resultados mais sustentáveis, para todos. O início de tudo é voltar-se para si e para o potencial humano de ser cada vez mais expresso no dia a dia. 

Ariadne Castro Camargo é professora, psicóloga clínica humanista, especialista em Abordagem Centrada na Pessoa, atua com psicoterapia individual, terapia de grupo, e roda de mulheres, é também aluna e voluntária da Organização Nova Acrópole Cuiabá. Atendimento presencial em Cuiabá no Experienciar, espaço de cuidado, e atendimento Online





Fontee: Folhamax

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