CIDADES
Oropouche: riscos para gestantes e sequelas no feto acendem alerta
Em 2024, Mato Grosso registrou 39 casos de febre do Oropouche, uma arbovirose transmitida pelo mosquito Culicoides paraensis, conhecido como maruim, mosquito-pólvora ou borrachudo. Este ano, apenas um caso foi confirmado até o momento em Denise (a 208 km de Cuiabá), entretanto a doença tem gerado preocupação entre profissionais da saúde, diante dos riscos significativos, especialmente para gestantes.
A doença, que possui sintomas semelhantes aos causados pela dengue e chikungunya – como febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulares – pode ser confundida com estas duas arboviroses, dificultando o diagnóstico clínico.
Inpa

Mosquito Culicoides paraensis, transmissor da febre do Oropouche
Embora a doença geralmente não seja fatal, seus impactos na saúde são relevantes, principalmente quando afeta populações vulneráveis, como gestantes, devido à possibilidade de transmissão transplacentária – transmitida da mãe para o feto durante a gestação. A principal inquietação das autoridades sanitárias é que o vírus oropouche, assim como o zika vírus, pode atravessar a placenta e afetar o desenvolvimento do feto.
De acordo com a secretária municipal de Saúde de Várzea Grande, Deisi de Cássia Bocalon Maia, a detecção de um caso positivo no estado acende um alerta. “Isso é preocupante, porque quer dizer que a doença está circulando. Então, se o mosquito infectar alguém, outras pessoas serão infectadas”, explicou, em entrevista ao
.
A transmissão do vírus da febre oropouche da mãe para o feto pode acarretar problemas graves. Conforme alertado por Bocalon, o vírus tem potencial para causar malformação fetal, similar ao que foi observado nos casos de microcefalia associados ao zika vírus. Embora os estudos sobre as sequelas do oropouche em bebês ainda sejam limitados, também há preocupação com possíveis impactos neurológicos e deficiências congênitas.
Arte: Annie Souza

Prevenção e cuidados essenciais para gestantes
Diante dos riscos, a principal recomendação para gestantes é o uso constante de repelente. “A gestante não pode ficar sem repelente. Precisa evitar lugares onde tenha mosquito. Em gestante, protetor solar e repelente são essenciais”, reforçou Bocalon.
Além disso, outras medidas preventivas incluem o uso de roupas de manga longa, a instalação de telas de proteção em janelas e a eliminação de possíveis criadouros do mosquito transmissor.
Ismar Ingber

Quando procurar um médico?
Embora a febre oropouche, geralmente, possua sintomas que levam as pessoas a se automedicar, algumas situações exigem atenção médica imediata. Gestantes que apresentarem sintomas como febre persistente, dor intensa no corpo e sinais de desidratação devem buscar orientação profissional.
Outro ponto é que o acompanhamento pré-natal também deve incluir a avaliação de possíveis complicações associadas ao vírus, especialmente em regiões onde há registros da doença.
Além disso, a conscientização da população e a vigilância epidemiológica são fundamentais para controlar a disseminação do vírus e minimizar seus impactos na saúde pública.
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