POLÍTICA
Lira será o relator do projeto sobre a isenção do imposto de renda
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou nesta 5ª feira (3.abr.2025) que o relator do projeto do imposto de renda será seu antecessor, Arthur Lira (PP-AL).
Em postagem no X (ex-Twitter), Motta disse que a análise do texto ficará a cargo de uma comissão especial, que será presidida pelo deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA).

No caso de projetos de lei, são formadas comissões especiais para analisar propostas cujo conteúdo exigiria a tramitação por mais de três comissões diferentes.
Os governistas receberam positivamente a escolha de Lira como relator da proposta, pois ele é reconhecido como um grande articulador no Congresso, especialmente após conduzir a aprovação da reforma tributária e sua regulamentação, em 2023 e 2025, durante sua gestão.
O líder do Governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou na 4ª feira (2.abr), que a indicação de Lira não atrapalharia a tramitação.
“Arthur Lira é um deputado competente, foi presidente da Câmara dos Deputados. Tem experiência para trabalhar. Creio que não teremos dificuldade em dialogar com ele. Qualquer nome que a Câmara apontasse seria, da parte do governo, bem recebido para dialogar”, disse Randolfe a jornalistas.
O projeto de lei tem o objetivo de isentar do Imposto de Renda quem recebe até R$ 5.000 por mês. Na prática, o governo quer ampliar o número de pessoas que, legalmente, não pagam depois de declarar os dados à Receita Federal.
Leia no infográfico abaixo um resumo das principais mudanças que o governo quer emplacar:

As medidas ainda não entraram em vigor. Dependem da aprovação dos deputados e senadores, que devem mexer no texto. O governo quer a medida valendo a partir de 2026 –ano da eleição presidencial.
Lula propõe que brasileiros com ganhos de até R$ 5.000 por mês deixem de pagar Imposto de Renda. É uma promessa de campanha do petista, anunciada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em novembro de 2024.
Por exemplo, um trabalhador informal que recebe R$ 4.552 mensais deixaria de pagar a taxa de 22,5% determinada pela tabela atual.
A equipe econômica estima que cerca de 20 milhões de brasileiros estarão isentos do IR em 2026 com a ampliação da faixa de renda. É um aumento de 10 milhões em relação ao cenário atual.
A medida terá impacto nas contas públicas. A Fazenda calcula que haverá uma queda de R$ 26 bilhões na arrecadação –a estimativa mais recente.
Essa faixa de renda não está isenta, mas haverá um desconto progressivo que incidirá em relação ao que era cobrado na tabela do Imposto de Renda anterior.
Para saber quanto será o desconto, é preciso fazer um cálculo. A fórmula é a seguinte:
Para facilitar a compreensão, o Poder360 preparou exemplos a partir de salários fictícios. O trabalhador que recebe R$ 5.500 receberia um abatimento de aproximadamente R$ 234,66.
Já um rendimento de R$ 6.500 teria desconto de R$ 78,22. Leia o detalhamento no infográfico abaixo:

Os secretários e técnicos do Ministério da Fazenda fizeram uma apresentação a jornalistas com o objetivo de explicar as mudanças da reforma da renda.
Entretanto, eles não detalharam como funciona o cálculo da faixa de R$ 5.000 até R$ 7.000, relativamente complexo. As minúcias só foram conhecidas depois que o projeto de lei foi liberado. Eis a íntegra (PDF – 438 kB).
Esses rendimentos mensais seguirão uma tabela do Imposto de Renda similar à que já existe. Permanecerão as alíquotas progressivas de:
A tabela em si, como é conhecida da forma atual, será divulgada posteriormente.
São as consideradas grandes riquezas, que somam R$ 600 mil ao ano. A equipe econômica diz que 141,4 mil pessoas serão obrigadas a pagar o IR.
A tributação de alta renda será progressiva. Se superar os R$ 600 mil, já começa a incidir um imposto adicional.
A alíquota final é calculada pela seguinte fórmula:
O limite é para as rendas acima de R$ 1,2 milhão. Com esse valor, a alíquota chega a 10% –o teto estabelecido pelo projeto de lei.
O Poder360 preparou exemplos que ajudam a compreender essa conta:

Entram no cálculo os rendimentos com isenção direta na fonte, como dividendos de empresas. Ou seja, aqueles em que o tributo não é recolhido imediatamente na hora do pagamento.
Um profissional com vínculo na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) que recebe mais de R$ 600 mil ao ano não precisará pagar uma quantia a mais, por exemplo. Isso se dá porque o seu Imposto de Renda é cobrado direto na folha de pagamento.
O governo colocou a taxa extra para as rendas maiores com o objetivo de compensar a perda de arrecadação causada pelas isenções e descontos propostos na reforma. A Fazenda afirma que a aplicação da taxa adicional deve aumentar a arrecadação em R$ 25 bilhões.
A ideia é ter uma taxação de 10% das remessas de dividendos enviados ao exterior. Atualmente, são isentos.
Dividendos são a parte do lucro distribuída aos acionistas como remuneração pelo investimento. São pagos com prazos determinados pelas companhias, e não necessariamente seguem o calendário financeiro.
A medida será adotada para financiar parte da isenção aos brasileiros que recebem até R$ 5.000 por mês. A arrecadação fica próxima dos R$ 9 bilhões.
Haverá retenção na fonte do IRPF no pagamento de dividendos no Brasil e para o investidor no Brasil.
A pessoa física ou jurídica que mora ou tem sede no exterior será tributada na fonte sobre qualquer valor.
O governo federal preparou uma página de perguntas e respostas sobre o projeto que altera as regras do Imposto de Renda a partir de 2026. Acesse clicando aqui.
O Poder360 compilou alguns dos principais questionamentos e as explicações da equipe econômica sobre cada tema. Leia abaixo:

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