POLÍTICA
Sindicatos cobram Correios por atraso no FGTS, mas estatal nega
Ao menos duas das principais agremiações de funcionários dos Correios enviaram notificações na semana passada à estatal por atraso no depósito do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) dos funcionários da empresa.
Pela lei, o pagamento deve ser feito até o dia 20. Os sindicatos dizem que há atraso e pedem providências. Os Correios, sob o comando do advogado Fabiano Silva dos Santos, 47 anos, têm enfrentado os maiores problemas financeiros de sua história.
Além do prejuízo de R$ 3,2 bilhões em 2024 e de quase R$ 500 milhões em janeiro, transportadoras terceirizadas também cobram pagamentos atrasados.
Nesse contexto, tanto a Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares) quanto a Sintect/SP enviaram cartas ao presidente dos Correios solicitando esclarecimentos sobre o atraso no depósito do FGTS.
“Temos recebido diversas reclamações por parte da categoria, de que neste mês, até a presente data, a empresa não realizou o referido depósito, fato que tem trazido preocupação aos trabalhadores/as e a esta entidade”, diz trecho da carta da federação.
Segundo a Sintect, milhares de funcionários relataram não ter recebido o benefício no prazo. O documento não especifica quantos funcionários fizeram a reclamação. Segundo o presidente da entidade, Elias Diviza, os Correios disseram que farão o pagamento até a próxima 2ª feira (31.mar). Ele pregou esperar até essa data antes de emitir novo posicionamento. “Eu quero o problema resolvido“, disse ao Poder360.
Em nota ao Poder360, no entanto, os Correios afirmaram que os depósitos estão regulares.
“Os depósitos referentes ao FGTS estão sendo realizados em total conformidade com a legislação. Não há qualquer irregularidade nesse aspecto”.
Na semana passada, os Correios receberam uma carta assinada por 31 empresas terceirizadas de transporte de mercadorias informando que os pagamentos referentes a janeiro deste ano ainda não tinham sido efetuados. Nesse mesmo mês, o prejuízo da estatal foi de R$ 424 milhões.
Em nota enviada ao Poder360 na 6ª (21.mar), a estatal disse que já estaria retomando os pagamentos.
“Os Correios enfrentaram um problema técnico no pagamento de alguns fornecedores, mas os pagamentos já foram realizados e as compensações serão concluídas até o início da próxima semana. Importante destacar que as entregas em todo o país não foram afetadas e ocorrem normalmente”.
Sob a liderança de Fabiano, a estatal iniciou uma sequência de prejuízos que culminaram no maior rombo da estatal em 2024. Foram mais de R$3 bilhões em déficit.
Em janeiro de 2025, a estatal registrou um prejuízo de R$424 milhões –o maior para o mês na história da empresa.
O senador Márcio Bittar (União Brasil-AC) protocolou um pedido em 19 de fevereiro de 2025 para instalar uma CPI e investigar o prejuízo na estatal. O documento tem 32 assinaturas no Senado, e aguarda análise do presidente da Casa, Davi Alcolumbre. Leia a íntegra (PDF – 332 kB).
O Poder360 vem publicando desde novembro de 2024 reportagens sobre problemas na estatal. Trataram de a estatal desistir de ações trabalhistas com prejuízo bilionário para a empresa, gastos milionários com “vale-peru”, entre outras.
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