POLÍTICA
CV ia aumentar taxa por venda de galão para R$2; preço era de acordo com bairro
O coordenador do Gaeco, promotor de Justiça Adriano Roberto Alves e o delegado Hércules Bastista explicaram que no esquema de extorsão a comerciantes de água mineral, que teve 60 mandados cumpridos nesta quinta (20), os criminosos montavam galpões clandestinos para armazenar galões e cobravam R$ 1 por revenda por parte dos comerciantes. Esse valor cobrado iria aumentar para R$ 2 neste ano. O promotor explicou ainda que o valor cobrado por galão nesses locais não dependia da marca de água, mas sim da região, visto que o Comando Vermelho determinava o preço de acordo com o bairro.
Kethlyn Moraes

Delegado do Gaeco, Hércules Batista, e promotor Adriano Roberto
A operação foi deflagrada nesta quinta em Cuiabá, Várzea Grande, Nobres e Sinop. “As marcas oficiais de água têm a sua atividade lícita e fornecem o produto, mediante nota fiscal, para qualquer tipo de pessoa. Os criminosos estavam montando galpões clandestinos para armazenar, iam diretamente na fonte, comprava galões e revendiam, obrigando vários comerciantes a comprar deles”, explicou Hércules.
Os criminosos passavam a constranger e ameaçar os comerciantes, de forma velada.
“Eles cobravam inicialmente R$1 por galão e neste ano ia passar para R$ 2 até R$ 2,50. Eles chegavam ao ponto de cobrarem a nota de aquisição da água para os comerciantes, para eles fazerem a cobrança em cima do valor. Vendi 20 mil, quero 20 mil reais em cima desse galão. A população ia pagar o preço, porque eles iam tabelar o preço neste ano , se um galão custasse R$ 12 passaria para R$ 14”, explicou o promotor Adriano.
Conforme o Gaeco, havia vários grupos de WhatsApp, onde integrantes do Comando Vermelho impunham a obrigação de que os comerciantes comprassem água mineral somente de pessoas indicadas pela facção, além da obrigação da taxa por cada galão de água vendido.
“Analisamos informações financeiras e descobrimos que essas pessoas são ligadas a outras que têm movimentações milionárias. É um negócio extremamente importante, com movimentação suspeita de lavagem de dinheiro”, afirmou Hércules.
Assessoria

A operação
A Operação Acqua Ilicita combate a extorsão, lavagem de dinheiro e organização criminosa que vinha prejudicando comerciantes de água mineral e aumentando os preços para os consumidores, com o objetivo de enriquecer criminosos que aterrorizam a população em Mato Grosso.
Foram expedidos 60 mandados de busca e apreensão, 12 mandados de prisão e sequestro de bens e valores ilícitos, incluindo 33 veículos, que estão sendo cumpridos nos quatro municípios. Ao todo, participam da operação 340 policiais militares e 60 agentes do Gaeco.
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