CIDADES
Casos de chikungunya em crianças disparam em MT e acendem alerta para sequelas
O aumento dos casos de dengue e chikungunya em Mato Grosso tem preocupado profissionais da saúde. Até o momento, foram registradas 32 mortes por chikungunya e 8 por dengue, conforme dados do painel de arboviroses da Secretaria de Estado de Saúde (SES). Dentre os óbitos, há dois casos de bebês com menos de um ano de vida, ambos do sexo masculino – sendo um em Cuiabá, por chikungunya, e outro em Lambari D’Oeste (a 318 km da Capital), por dengue. Os casos entre o público infantil tem alarmado médicos, pois, além dos sintomas intensos já conhecidos durante a infecção – e amplamente divulgados – os profissionais observam sequelas que podem comprometer a qualidade de vida dessas crianças.
Hermes Pardini

Em entrevista ao
, a pediatra do Hospital Santa Rosa, de Cuiabá, Emmanuela Reis, explica que, embora as crianças não sejam mais vulneráveis que os adultos, a falta de uso de repelentes e a maior exposição a ambientes ao ar livre, que possuem focos de proliferação do mosquito Aedes aegypti, aumentam os riscos de infecção.
A médica afirmou que um dos pontos mais alarmantes é a relação entre a chikungunya e complicações neurológicas. Segundo Emmanuela, o estado já registra casos de crianças com meningite e inflamação no sistema nervoso central após a infecção. Além disso, dores articulares intensas e prolongadas também têm sido observadas.
“A chikungunya pode causar artrite, dor intensa e, em casos mais raros, sequelas neurológicas. Agora que estamos vivendo um número muito grande de casos, é possível que um novo perfil de complicações apareça”, destaca Emmanuela.
A pediatra também ressalta que há casos de manifestação congênita, ou seja, bebês que nascem com a doenças, pois a mãe teve chikungunya durante a gestação. Especialistas apontam que há uma probabilidade de 50% de chance da transmissão intraparto – período que vai do início do trabalho de parto, até o nascimento do bebê.
“O retardo no atendimento pode impactar diretamente na evolução da doença. Casos que poderiam ser controlados acabam se agravando”
Emmanuela Reis
Com relação à dengue, Emmanuela destacou que a maior preocupação está na sua versão mais grave, que pode levar à hemorragia, choque e, em casos extremos, morte. Segundo a pediatra, crianças desnutridas ou com doenças que afetam o sistema imunológico correm maior risco de complicações severas.
Superlotação e risco de agravamento
No mês de fevereiro, o Hospital Estadual Santa Casa, na Capital, precisou suspender temporariamente por duas vezes, novos atendimentos no Pronto Atendimento Infantil devido à superlotação registrada na unidade. Fontes da reportagem apontam que grande parte das internações se davam por arboviroses. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), a medida de suspender temporariamente o serviço é uma garantia para não colocar em risco novos pacientes que chegam no local.
Segundo Emmanuela, um dos fatores preocupantes é a superlotação e sobrecarga médica nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). A pediatra ressalta que muitas unidades não possuem estrutura para oferecer hidratação adequada e medicações de suporte de forma imediata. “O retardo no atendimento pode impactar diretamente na evolução da doença. Casos que poderiam ser controlados acabam se agravando”, declarou.
Arquivo Pessoal

A pediatra Emmanuela Reis
Medidas de prevenção são essenciais
A especialista reforçou que a principal forma de prevenção continua sendo o combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor das duas doenças – além da zika, que não tem registrado alto indice no estado. “O ciclo de vida do mosquito, do ovo até a fase adulta, leva de 7 a 10 dias. Se conseguirmos eliminar focos de água parada semanalmente, já causamos um impacto significativo no número de casos”.
Além disso, a médica ressaltou quanto à importância do uso de repelentes, a instalação de telas protetoras, além da manutenção de ambientes ventilados e limpos, que são medidas fundamentais para evitar a proliferação do inseto.
Vacinação
Atualmente, a única vacina disponível é contra a dengue. Segundo a pediatra, o imunizante protege contra os sorotipos 1, 2 e 3 do vírus. A vacina Dengvaxia é recomendada para crianças a partir dos 6 anos, enquanto a Qdenga é para crianças a partir de 4 anos. Segundo Emmanuela, crianças que já tiveram a doença devem manter o acompanhamento médico para monitoramento de possíveis sequelas, especialmente articulares.
“O ideal é que qualquer criança que tenha tido arbovirose faça acompanhamento com um pediatra ou infectologista pediatra. Isso permite uma intervenção precoce caso surjam complicações”, reforçou a médica.
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