OPINIÃO

O sentido da vida

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Ariadne Castro Camargo

 

A temática escolhida para as campanhas do Janeiro Branco em 2025 traz o seguinte questionamento: “O que fazer pela saúde mental agora e sempre?” Evidentemente cada um tem sua maneira própria de cuidar da saúde mental e garantir o bem-estar, mas sempre é possível experienciar novas formas de lidar com situações desafiadoras na vida.

Algumas práticas como refletir sobre o que promove um maior senso de propósito e equilíbrio para cada um de nós contribuem para a promoção da saúde mental. Ao incorporar conceitos como o sentido de vida, conseguimos construir uma abordagem mais ampla e integrativa para cuidar de nossa mente. Esses elementos não apenas fortalecem o bem-estar psicológico, mas também nos ajudam a enfrentar adversidades com serenidade e a viver de forma mais intencional.

Viktor Frankl, psiquiatra e sobrevivente do Holocausto, trouxe uma poderosa reflexão sobre o sentido de vida. Em sua obra, ele destaca que o ser humano é capaz de encontrar significado mesmo nas circunstâncias mais difíceis. Para ele, a busca por sentido não é apenas um luxo filosófico, mas uma necessidade fundamental para a saúde mental. O sentido de vida pode ser encontrado de diversas formas: em nossos relacionamentos, em projetos criativos, no compromisso com causas maiores ou mesmo na superação de desafios pessoais. Assim, cultivar uma rotina que nos permita refletir sobre nossos valores e conectar nossas ações ao que realmente importa pode ser transformador.

O pensamento estóico também oferece ferramentas práticas para enfrentar os altos e baixos da vida. Pensadores como Sêneca, Epicteto e Marco Aurélio nos ensinam a distinguir entre o que está sob nosso controle e o que não está. Esse princípio, quando aplicado à saúde mental, nos ajuda a reduzir o sofrimento desnecessário e a lidar com situações adversas com mais clareza e resiliência. Por exemplo, podemos nos concentrar em aprimorar nossas atitudes, pensamentos e escolhas – elementos que estão ao nosso alcance – em vez de nos desgastar tentando controlar eventos externos. 

Integrar essas práticas com a psicoterapia cria um ciclo virtuoso: o autoconhecimento adquirido em sessões terapêuticas pode ser reforçado e ampliado pela reflexão filosófica e pelas ações cotidianas. Quando unimos o autoconhecimento, o senso de propósito e a resiliência, desenvolvemos uma base sólida para lidar com os desafios inevitáveis da vida.

Assim, cuidar da saúde mental exige mais do que resolver problemas pontuais; é um compromisso contínuo com o próprio crescimento e com a busca de significado. Ao compreendermos como somos e qual o nosso sentido de vida, aprendemos a transformar dificuldades em oportunidades de aprendizado, fortalecemos nossa capacidade de enfrentar o imprevisível com serenidade e equilíbrio. E, ao somarmos tudo isso à psicoterapia, criamos um espaço interno de auto compreensão e aceitação que nos permite viver de forma mais plena, mesmo em meio às complexidades da existência.

Ariadne Castro Camargo é professora, psicóloga humanista, pós-graduanda em Abordagem Centrada na Pessoa, aluna e voluntária da Organização Nova Acrópole Cuiabá. Instagram: psi.ariadnecastro





Fontee: Folhamax

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