OPINIÃO
Crédito em dólar pode ser o diferencial
Desde o final de 2024 o dólar vem ganhando bastante espaço nos noticiários econômicos brasileiros. A cotação da moeda norte-americana tem impacto significativo na economia do país e quando sofre altas, como verificamos em dezembro, o temor é de haja aumento de preços, inflação, alta nos juros.
Mas o dólar não precisa ser visto somente como um vilão. O agronegócio brasileiro, por exemplo, que está cada vez mais globalizado, pode usar de maneira inovadora a moeda estrangeira em suas estratégias financeiras. Em um cenário onde as taxas de juros impactam diretamente a rentabilidade do negócio, é possível optar pela busca por crédito em dólar.
Também podem ser vistas, fartamente, notícias sobre as taxas de juros no Brasil, que fechou o ano passado com mais uma alta na Selic, um dos principais indicadores econômicos para a obtenção de crédito no mercado interno. Neste caso, a opção pode ser buscar dinheiro em países onde elas são mais atrativas, como nos Estados Unidos.
Vejamos a diferença. Enquanto a taxa Selic em janeiro de 2025 está em 12,25% ao ano, conforme definição do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) em reunião realizada no dia 11 de dezembro, os juros médios norte-americanos fecharam dezembro entre 4,25% e 4,5%.
Essa diferença pode ser aproveitada estrategicamente dependendo da origem das receitas e do planejamento financeiro. Mas é preciso estar atento às vantagens e os riscos, buscando informação com empresas que tenham expertise no mercado para a tomada de decisões que sejam mais assertivas.
Elas dirão, claramente, quando faz sentido optar por crédito em dólar, em que situações esta pode ser uma decisão vantajosa. Tiremos como exemplos os produtores com perfil exportador. Se eles possuem contratos em moeda estrangeira conseguem alinhar seus ganhos com as despesas, reduzindo os impactos das oscilações cambiais.
Como os juros em dólar geralmente são mais baixos do que os praticados no Brasil, isso pode gerar economia em financiamentos de longo prazo. E nas negociações globais, as empresas que precisam importar insumos ou equipamentos, financiar em dólar também pode eliminar riscos cambiais adicionais.
O crédito em dólar, no entanto, apresenta também seus riscos e desafios. É importante saber que as oscilações cambiais podem aumentar o valor da dívida, o que requer uma gestão financeira mais rigorosa. Uma consultoria especializada poderá identificar o melhor tipo de crédito para cada perfil de cliente, realizar a estruturação de crédito com condições ajustadas às necessidades do produtor e analisar impactos financeiros para facilitar a decisão.
Pablo Padilha é Diretor da COFAN
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