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Fim dos filtros nas redes levanta reflexão sobre autoimagem, diz psiquiatra

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Annie Souza

filtro instagram foto

A Meta – empresa responsável pelo WhatsApp, Instagram, Facebook e Messenger – removeu, na última terça-feira (14), os filtros de realidade aumentada que foram criados por empresas ou influenciadores digitais no Instagram, mantendo apenas os filtros criados pela própria Meta. A decisão gerou discussão nas redes sociais que se dividiu em dois grupos: aqueles que “não vivem sem” e os que não sentirão falta. Em alguns casos, em que a pessoa possui alguma distorção de imagem, a mudança pode gerar desconforto ou sofrimento, avaliou o psiquiatra Washington Bruno Feliciano Barbosa, diretor técnico do Instituto da Mente, em Cuiabá.

Segundo o especialista, os filtros presentes nas redes sociais são uma representação de algo que a sociedade já possui, como maquiagens, fantasias, máscaras, então a maioria das pessoas não sentirá falta. O problema será para aqueles que sofrem algum tipo de transtorno de imagem, ou seja, que se enxergam de uma maneira inadequada, ou que não seja condizente com a realidade.

Annie Souza

Washington Bruno Feliciano Barbosa

“Isso levanta uma discussão sobre essa questão da autoimagem, sobre como temos feito um movimento em que a imagem é mais valorizada do que outras características pessoais. E essa também é uma das grandes discussões quando se fala em rede social, em que eu faço uma hipervalorização da imagem, uma hipervalorização do status – a imagem pensando realmente em status – e o quanto isso pode ser destrutivo quando as comparações acontecem”, afirmou Washington. 

O psiquiatra explicou que a maioria das pessoas possui alguma questão sobre si que não as deixa satisfeita, então acaba focando em padrões colocados como “universais” e que não se encaixam nela mesma, seja o tamanhos do corpo, estilo de roupa, alimentação e até o próprio estilo de vida, gerando uma angústia e um descontentamento consigo mesmo, com a sua imagem e a sua vida.

“Esta é uma questão de cuidado. Nem tudo que está postado é a realidade, na verdade, na maioria das vezes, não é a realidade”, apontou o especialista.

Na rede social X (antigo Twitter), a reação dos internautas se dividiu entre os favoráveis e os que não veem diferença em manter os filtros ou não, como mostram as publicações abaixo: 

Reprodução X

Publicações no X sobre filtros Instagram

Reprodução X

Publicações no X sobre filtros Instagram

Uso das redes sociais para ataques bullying virtual

Outro ponto destacado pelo psiquiatra é a sensação de falso anonimato que a internet proporciona, fazendo com que pessoas ataquem umas às outras com ofensas, montagens, fake news e até a publicação de informações, fotos e/ou vídeos íntimos. Para Washington, esse fenômeno sempre aconteceu e mostra a influência existente em uma comunidade, conhecida como “comportamento de manada”. 

“Você vai seguindo a onda daquilo que está acontecendo, que a maioria está fazendo. Isso tem a ver com um fenômeno que é natural, que é a identificação, a necessidade de pertencimento, a necessidade de aceitação pela comunidade com quem se convive, então é natural que isso aconteça. O problema é que, nesse contexto da rede social, a gente tem uma falsa ideia de anonimato. Essa falsa ideia faz com que as pessoas contenham menos o impulso de fazer coisas que são inadequadas, por sentir uma segurança de que aquilo não vai ser exposto, de que aquilo não vai ser descoberto”, explicou.

Annie Souza/Rdnews

Especial - fim dos filtros no Instagram

Fim dos filtros no Instagram levantou discussão sobre autoimagem

Mesmo que seja um comportamento “comum”, Washington destacou o quanto é prejudicial, visto que muitas pessoas são expostas em situações que são degradantes ou vexatórias, porque as pessoas se sentem muito livres nas redes sociais. 

“Isso é algo que a gente precisa aprender a conter. Não uma contenção social, mas individual. A gente precisa aprender a conter a exposição daquilo que a gente pensa e que é inadequado, pois tais atitudes sempre trazem grandes prejuízos para os outros e para nós mesmos”, destacou.



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