OPINIÃO
A Aids se tornou uma doença crônica e tratável
Soraya Rezende Rossi
A luta contra o HIV e a Aids deu um salto nos últimos anos. O que antes era visto como uma “sentença de morte”, hoje é uma condição crônica que pode ser controlada. Com o tratamento adequado as pessoas com HIV podem ter uma vida longa e saudável.
Muitas pessoas ainda confundem HIV e Aids. O HIV é o vírus que ataca o sistema imunológico, enfraquecendo-o. A Aids é a síndrome que se desenvolve quando o sistema imunológico está muito comprometido, tornando o organismo vulnerável a diversas infecções.
É importante entender que ter HIV não significa ter Aids, com o tratamento efetivo, é possível viver com HIV sem desenvolver a Aids.
Há cerca de 40 anos ser diagnosticado com o HIV ou ter Aids era uma sentença de morte inevitável. Contudo com a evolução no tratamento, atualmente os medicamentos antirretrovirais (ARVs) são capazes de controlar a carga viral, ou seja, a quantidade de vírus no organismo. E quando a carga viral é indetectável, a pessoa não transmite o vírus sexualmente.
Hoje, podemos dizer que essa é uma doença crônica e tratável.
A disponibilização de testes rápidos, os novos tratamentos, e as políticas públicas de prevenção são os grandes responsáveis pelo avanço significativo conquistado nas últimas décadas.
Ainda assim, conforme dados da Unaids, agência da Organização Mundial de Saúde (ONU) que coordena a resposta global à epidemia de HIV/Aids, em 2023 havia cerca de 39,9 milhões de pessoas vivendo com HIV no mundo. Desse total, 38,6 milhões eram adultos e 1,4 milhão, crianças. Ao longo do mesmo ano foram identificados outros 1,3 milhão de novos casos da infecção e 630 mil pessoas tiveram mortes relacionadas à Aids.
Dados do Boletim Epidemiológico de HIV e Aids do Ministério da Saúde destacaram que houve crescimento de 4,5% dos registros de HIV no Brasil, no de 2023 em comparação a 2022. Porém, 10.338 pessoas morreram em decorrência da Aids, uma taxa de mortalidade de 3,9 óbitos no ano, a menor desde 2013.
De acordo com o relatório, dentre os infectados no ano passado, a maioria era do sexo masculino, eles somaram 382.946 dos casos notificados, ou seja 70,7%, enquanto que as mulheres totalizaram 158.626 casos, com 29,3%. São 2,7 casos em pessoas do sexo masculino para cada caso do sexo feminino.
Neste mesmo período foram confirmados 125.753 novos portadores do HIV entre os jovens de 15 a 24 anos, representando 23,2% do total de casos. Desses, 24,8% ocorreram no sexo masculino e 19,4% no sexo feminino.
Em relação à Aids, em 2023, foram registrados 38 mil casos da síndrome. A faixa etária com maior volume de casos é de 25 a 29 anos de idade, com 34%, seguida de 30 a 34 anos, com 32,5%.
HIV em Mato Grosso – De acordo com o Sistema de Informações e Agravos de Notificações (SINAN) do governo federal, em 2023 foram registrados 1.165 novos casos de HIV no Estado. Em 2024 foram confirmados 811 casos de janeiro a outubro. Quanto à Aids foram notificados 2.008 casos, em 2023 e 316 casos da doença no período, entre janeiro e outubro deste ano.
Infecção – O vírus HIV é transmitido por meio de relações sexuais desprotegidas (sem uso de preservativos), pelo compartilhamento de objetos perfurocortantes contaminados, como agulhas, alicates, etc., de mãe infectada sem tratamento para o filho durante a gestação, parto ou amamentação.
Diagnóstico – Exames laboratoriais e testes rápidos para identificação dos anticorpos do HIV são feitos a partir da coleta de sangue ou por fluido oral. Em cerca de 30 minutos é possível saber o resultado dos testes realizados nas unidades de saúde da rede pública e nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA).
Após o diagnóstico positivo, o paciente deve iniciar o tratamento antirretroviral o mais cedo possível. Esses medicamentos são altamente eficazes na supressão da carga viral, impedindo a progressão da infecção e doença, aumentando a expectativa de vida.
O acompanhamento médico é fundamental para garantir a adesão ao tratamento, monitorar a carga viral e a contagem de células T CD4 (células de defesa do organismo) e identificar e tratar possíveis complicações.
Vale ressaltar que a AIDS é uma doença crônica, mas com a terapia correta as pessoas infectadas podem ter uma vida longa e saudável. A informação e a conscientização são as principais ferramentas para combater o preconceito e o estigma em torno do HIV e da AIDS, além de promover a prevenção e o cuidado com a saúde.
Soraya Rezende Rossi é médica infectologista, atende no Hospital São Mateus, em Cuiabá.
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