JUDICIARIO

STJ solta ex-delator, mas determina afastamento de empresas

Published

on


O ministro Sebastião Reis Junior, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou a soltura do empresário Edézio Correa, principal alvo da Operação Gomorra, deflagrada no dia 7 de novembro pelo Naco (Núcleo de Ações de Competência Originária) do Ministério Público de Mato Grosso. 

 

Tratando-se de agente primário e de crimes supostamente praticados sem violência ou grave ameaça à pessoa, verifica-se ser desproporcional a imposição da constrição corpórea

Ele, no entanto, deverá ficar afastado das empresas em que é sócio ou dirigente. A decisão foi publicada nesta terça-feira (10).

 

A Gomorra investiga fraudes em contratos firmados entre as empresas de Edézio com a Prefeitura de Barão de Melgaço. 

 

Ele é acusado de constituir as empresas em nomes de familiares, inclusive de fachada, com o objetivo de cometer as fraudes. 

 

O empresário também foi réu colaborador da Operação Sodoma, que apurou um esquema de pagamento de propina na gestão do ex-governador Silval Barbosa.

 

No habeas corpus, a defesa de Edézio sustentou que a prisão preventiva dele não estaria suficientemente fundamentada em elementos concretos e contemporâneos.

 

Ressaltou ainda as condições pessoais favoráveis do empresário e a suficiência de medidas cautelares alternativas.

 

Na decisão, o ministro classificou a prisão preventiva como “desproporcional” levando em consideração, segundo ele, o fato de que outras medidas assecuratórias já foram adotadas para proteger a investigação.

 

Ele citou como exemplo a suspensão das atividades econômicas, realização de busca e apreensão domiciliar e afastamento do sigilo de dados telemáticos e eletrônicos dos investigados.

 

“Tratando-se de agente primário e de crimes supostamente praticados sem violência ou grave ameaça à pessoa, verifica-se ser desproporcional a imposição da constrição corpórea em hipótese na qual não há evidência de que a permanência do agravante em liberdade implicará risco real e concreto ou à instrução processual ou à sociedade”, escreveu.

 

“Dessa forma, revela-se mais adequada a imposição de medidas cautelares alternativas, em observância à regra de progressividade das restrições pessoais, já que apenas em último caso será decretada a custódia preventiva e, ainda, quando não for cabível sua substituição por outra cautelar menos gravosa”, acrescentou.

 

Além do afastamento das empresas, o ministro determinou que Edézio compareça periodicamente em juízo, no prazo e nas condições a serem fixadas pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, e não faça contato com qualquer um dos demais investigados.

 

A operação

 

Também foram alvos da operação, a esposa de Edézio, Tayla Beatriz Silva Bueno Conceição; a irmã dele Eleide Maria Correa; os sobrinhos Roger Corrêa da Silva, Waldemar Gil Corrêa Barros e Jânio Corrêa da Silva.

 

O grupo é proprietário da Pontual Comércio e Serviços de Terceirizações, Pantanal Gestão e Tecnologia, Saga Comércio e Serviço Tecnologia e Informática Ltda e Centro América Frotas Ltda. 

 

Segundo o Naco, as empresas investigadas atuam em diversos segmentos, sempre com foco em fraudar a licitação e disponibilizam desde o fornecimento de combustível, locação de veículos e máquinas, fornecimento de material de construção até produtos e serviços médico-hospitalares.

 

De acordo com o MPE, a suspeita é de que as empresas possua contratos homologados em mais de 100 prefeituras e câmaras do Estado.

 

Nos últimos cinco anos, elas receberam a quantia de R$ 1,8 bilhão, conforme a lista de contratos divulgada no Radar MT do Tribunal de Contas do Estado (TCE). 

 



Comentários
Continue Reading
Advertisement Enter ad code here

MATO GROSSO

Advertisement Enter ad code here

POLÍCIA

Advertisement Enter ad code here

CIDADES

Advertisement Enter ad code here

POLÍTICA

Advertisement Enter ad code here

SAÚDE

As mais lidas da semana