AGRICULTURA
Matopiba ganha plano para integrar agropecuária, agroindústria e sustentabilidade
Apresentado nesta quarta-feira (22.10) na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CRA), da Câmara dos Deputados, o Plano de Desenvolvimento Agropecuário e Agroindustrial do Matopiba (PDA-Matopiba), sinalizando um novo passo para a região que engloba o sul do Maranhão, Tocantins, sudoeste do Piauí e oeste da Bahia. O projeto, que vai guiar políticas públicas de 2025 a 2030, está em fase final de validação e ainda pode receber contribuições antes da publicação definitiva.
O debate na câmara foi solicitado pela deputada Roberta Roma e reuniu parlamentares e representantes do governo e do setor produtivo. O objetivo central do PDA-Matopiba é desenvolver o potencial agrícola do Cerrado nordestino, ao mesmo tempo em que busca enfrentar desigualdades sociais e garantir sustentabilidade econômica e ambiental. O plano foi construído sobre três eixos estratégicos, com 90 metas e 216 ações.
O primeiro eixo foca em governança e inteligência territorial. Entre as ações previstas estão a criação de uma plataforma digital com dados do Matopiba até 2026, zoneamento detalhado para orientar o uso da terra, campanhas de regularização fundiária e uso de inteligência artificial para análise de riscos climáticos.
O segundo eixo visa ao desenvolvimento agropecuário sustentável. Isso inclui diversificação das culturas, incentivo à Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), apoio à fruticultura, avanços em adaptação ao clima e aumento da eficiência no uso da terra, para beneficiar sobretudo pequenos e médios produtores.
O terceiro eixo aposta no crescimento agroindustrial local, fortalecendo cadeias produtivas, agregando valor aos produtos, ampliando o emprego e estimulando novas agroindústrias na região. O plano reconhece que boa parte da riqueza do campo vem da transformação dos produtos antes de chegarem ao consumidor.
Durante o debate, representantes do governo destacaram que o Matopiba é hoje a “fronteira agrícola mais jovem do Brasil”, marcada por forte contraste social e desafios de infraestrutura, logística e conectividade institucional. A meta é fortalecer uma classe média rural para reduzir desigualdades, promover renda e modernizar o campo.
O Ministério do Meio Ambiente reforçou a importância de equilibrar produção com conservação. O Matopiba tem papel estratégico no regime climático do país, e o uso sustentável do Cerrado é visto como ativo econômico — produtor pode aumentar sua rentabilidade conservando a vegetação nativa, além de cumprir a legislação ambiental.
O cronograma prevê que a proposta seja validada pelos estados em novembro e publicada em dezembro. O PDA-Matopiba pode transformar não só a produção agrícola da região, mas também a qualidade de vida de quem vive no campo, conectando oportunidades de crescimento com compromisso ambiental.
Fonte: Pensar Agro
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