POLÍTICA
Governo perdeu capacidade de impor agenda, diz líder do União Brasil
O líder do União Brasil no Senado, Efraim Filho, afirmou que o governo Lula precisa definir se optará pelo diálogo ou pelo confronto em sua relação com o Congresso Nacional. A declaração foi feita em entrevista ao jornal O Globo publicada na 4ª feira (3.jul.2025).
“O que vi foi uma reação do Congresso tentando se posicionar. O Congresso não pode ser alvo preferencial do ministro da Fazenda (Fernando Haddad), se é o Congresso que dá sustentabilidade a esse governo, desde a PEC da Transição. Fica claro que o PT não tem uma base para chamar de sua nem condições de impor uma agenda, mas tenta fazer isso à força. Agora é a hora de o governo decidir se parte para o diálogo ou insiste no enfrentamento”, disse o senador.
Efraim citou episódios recentes como indicadores desse enfraquecimento, incluindo a recusa do líder do União Brasil na Câmara, Pedro Lucas, em assumir o Ministério das Comunicações.
“Pedro Lucas havia acabado de assumir a liderança da bancada. Em conversas conosco, disse que gostaria de assumir o ministério em outro contexto”, disse, afirmando que a decisão foi tomada por questões internas da bancada.
A saída do PDT da base governista também foi mencionada como fator que “enfraquece ainda mais esta base vinculada às pautas tradicionais do PT”.
O senador afirmou que o Legislativo não aceitará o que classificou como “gastança desenfreada” voltada a projetos eleitorais do Executivo. Ele disse que é preciso trazer “equilíbrio e responsabilidade fiscal” ao processo orçamentário.
Efraim afirmou que a recém-anunciada federação entre União Brasil e PP trará mais independência na relação com o governo. Segundo ele, a aliança representa “mais autonomia” e elimina “subserviência ou submissão da federação ao governo”.
“PP e União avançam na identidade e com aspecto majoritário de centro-direita. São partidos que contribuem com a governabilidade em temas econômicos, mas se preservam em relação a pautas de comportamento”, afirmou o senador.
Efraim confirmou que o União Brasil mantém a pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, para a eleição presidencial de 2026. O senador elogiou os “resultados expressivos na segurança pública” do Estado e classificou Caiado como “grande articulador político”. “Ele tem a missão de se viabilizar neste ano de 2025. Mas existe espaço para dialogar com a centro-direita sobre alianças”, disse.
O líder do União Brasil no Senado avaliou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, representa a opção mais viável da direita para 2026. Segundo sua análise, “Tarcísio traz o eleitor bolsonarista e o de centro também. Isso é decisivo para vencer as eleições”.
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