POLÍTICA
Como o ataque ao Irã pode influenciar a Cúpula do Brics no Rio
O ataque de Israel ao Irã na noite de 5ª feira (12.jun.2025) causou a reação de líderes mundiais e pode ter repercussão na Cúpula do Brics, que será realizada em 6 e 7 de julho no Rio. O Irã é integrante pleno do bloco desde o último encontro, em 2024.
Segundo apurou o Poder360, a diplomacia brasileira não avalia haver risco, atualmente, de cancelamento ou esvaziamento do evento na capital carioca. O tema deve, entretanto, dominar as conversas de alto nível da cúpula.
A ideia é que a crise está mais distante do Brics e mais próxima do G7, que realiza sua cúpula de 3 dias a partir de domingo (15.jun). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participará como convidado. Para os diplomatas brasileiros, o momento de tensão internacional aumenta a importância dos debates do bloco de países emergentes.
Lula, por exemplo, tem repetido críticas ao enfraquecimento do multilateralismo mundial. O tema deve também chegar às mesas de discussão do Rio.
O presidente também faz críticas constantes à atuação de Israel na Faixa de Gaza. Inclusive, uma nota do Itamaraty, divulgada na 6ª feira (13.jun) condenando o bombardeio no Irã, seguiu a mesma linha.
Apesar disso, o governo brasileiro leva a cúpula como um momento de pauta positiva e nunca de confronto. Mesmo com opiniões divergentes sobre a segurança mundial e o conflito no Oriente Médio no bloco, a avaliação é de que os integrantes do Brics sempre conseguiram chegar a um consenso sobre os temas.
Caso seja difícil de o tema entrar oficialmente em uma declaração oficial do bloco, é possível que o assunto seja objeto de reuniões bilaterais às margens da cúpula no Rio.
Segundo a doutora em Relações Internacionais Fernanda Brandão, o conflito no Oriente Médio deve impactar de maneira moderada a reunião do Brics por se tratar de um bloco de perfil econômico e não abordar questões militares.
Apesar disso, ela avalia que existe um “risco muito grande” de a recente guerra de atrapalhar potenciais acordos comerciais. Fernanda também menciona a tensão sobre o Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã e principal caminho pelo qual o petróleo da Arábia Saudita é transportado e exportado.
“A Arábia Saudita vem se posicionando como uma grande potência mundial e essa inimizade com o Irã pode influenciar sua posição”, disse a professora. O país faz parte do Brics desde o início de 2024, apesar de não ter formalizado todos os documentos necessários para a entrada.
Brandão também disse haver “especulações” sobre a presença incerta ou uma participação tímida do Irã na reunião de 6 e 7 de julho.
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Esta reportagem também foi escrita pelo estagiário de jornalismo Davi Alencar sob a supervisão da editora Amanda Garcia.
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