SAÚDE
Jovem com doença no intestino vomitava todo dia: “Achei que era nada”
“A doença de Crohn impactou minha vida de uma forma que não podia imaginar. Eu era atleta, fui jogador profissional de futebol. Em um momento você é assim e em outro não consegue correr direito, é uma pessoa doente, está fraco, mais magro do que o normal e seus amigos e parentes te enxergam como uma pessoa debilitada”, lamenta o morador de Santos.
Jean levava um estilo de vida saudável até 2019, quando jogava futebol em um clube de Santos. Mas naquele ano, ele passou a trabalhar como ajudante de pintor em obras e passou a seguir uma alimentação desregrada.
“, tomando muito refrigerante e café, comendo pizza e lanches. Em 2021 almocei uma marmita e tomei um café requentado e, em menos de cinco minutos, minha barriga revirou e eu precisei sair correndo para vomitar”, lembra.
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O jovem conta que nesse momento acendeu um alerta de que algo estava estranho, mas continuou com os mesmos hábitos alimentares. Em pouco tempo os sintomas se agravaram. Ele passou a vomitar duas vezes na semana e tinha refluxo constante.
“Achava que era nada, mas em 2022 o quadro foi se agravando até que eu comecei a emagrecer e estava vomitando até cinco vezes na semana — o meu estômago estava bem irritado. Até que no final do ano eu vomitei a ceia toda e minha família viu”, conta.
Pressionado pela família, o rapaz finalmente procurou um especialista e um exame de endoscopia mostrou úlceras na parede do estômago. Mesmo com medicações, o quadro só piorava e Jean acabou sendo internado com desnutrição severa. Ele tinha passado de 76 quilos para 51 quilos.
No 20º dia de internação, após passar por vários exames, os médicos descobriram que o jovem de Santos tinha , com suspeita de doença de Crohn. “Quando os médicos falaram sobre essa possibilidade caiu um mundo na minha cabeça. Contei para a família e pesquisei bastante. Queria entender como isso tinha acontecido e o que fazer. Foi uma fase muito difícil”, lembra.
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Doença de Crohn
A que pode atingir pessoas em qualquer idade, apesar de ser mais frequente na população entre 15 e 35 anos.
Ela pode causar inflamações em qualquer parte do tubo digestivo — desde a boca até o ânus — mas as áreas mais afetadas são o final do intestino delgado e o lado direito do intestino grosso (cólon direito). No caso de Jean, a doença foi identificada mais próxima à boca.
A médica gastroenterologista Schiavetti, que atendeu Jean, explica que os pacientes nascem com uma predisposição genética à doença. Alguns podem passar a vida sem nenhuma manifestação ou apresentar os primeiros sintomas a partir de gatilhos ambientais.
“Dieta industrializada, estresse, tabagismo, uso de algumas medicações e antibióticos são alguns dos fatores que somados podem ser gatilhos para que esse gene se manifeste e o processo inflamatório comece”, explica.
O diagnóstico é um desafio, uma vez que os sintomas são frequentemente confundidos com outras condições. Eles podem incluir: dor abdominal, sensação de barriga estufada, cólicas, diarreia, emagrecimento, sensação de esvaziamento incompleto do intestino, flatulência exagerada (gases) e sangue e muco nas fezes.
Mesmo os pacientes com a doença controlada têm perda da qualidade de vida, com o comprometimento social, sexual, financeiro e psicológico. “Se o paciente tem diarreia a sangramento e vai 20 vezes ao banheiro, ele não vai conseguir trabalhar. Se é um paciente jovem, ele não vai conseguir ficar na sala de aula e vai ter dificuldades no estudo”, conta Bianca.
Jean conta que conseguiu recuperar dez quilos no período em que estava internado, mas a doença continuou a progredir. Um mês depois ele acordou com o rosto inchado, teve uma hemorragia gastrointestinal e dois desmaios.
“Saiu sangue nas minhas fezes e eu cheguei na UPA (unidade de Pronto atendimento) quase sem consciência. Quando fui transferido para o hospital, os médicos viram que a taxa de hemoglobina estava em 2,8, quando o normal seria 13”, detalha.
A mudança de vida, com melhor controle dos sintomas e volta à rotina, veio a partir do diagnóstico correto e do início do tratamento contínuo no final de 2023. Jean conta que começou a seguir uma dieta orientada por profissionais, recuperou o peso e passou a se sentir melhor para realizar as tarefas do dia a dia com mais naturalidade.
“Senti uma grande diferença com o tratamento, nem parecia que eu tinha uma doença no intestino. Foi um resultado extraordinário. Eu tenho muita esperança de chegar à remissão”, acredita.
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