SAÚDE
Homens pretos correm maior risco de ter câncer de próstata. Entenda
A mesma pesquisa revelou que, no Reino Unido, o risco de diagnóstico entre negros é de duas a três vezes maior. Além disso, a mortalidade também é o dobro, mesmo em sistemas de saúde distintos como o britânico (majoritariamente público) e o americano (privado).
No Brasil, embora não haja dados étnico-raciais precisos, os especialistas ouvidos pelo Metrópoles indicam que a maioria dos pacientes atendidos também é de homens pretos e pardos. A explicação por trás deste número parece ser uma união de aspectos físicos e sociais.
Câncer de próstata
O câncer de próstata é o mais frequente entre os homens, depois do de pele, segundo o Ministério da Saúde.
Na fase inicial, o câncer de próstata pode não apresentar sintomas e, quando eles aparecem, os mais comuns incluem: dificuldade de urinar, demora em começar e terminar de urinar, sangue na urina, diminuição do jato, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite.
As causas não são totalmente conhecidas, mas alguns fatores como idade, histórico familiar, obesidade, alimentação, tabagismo e exposição a produtos químicos podem aumentar o risco.
A doença é confirmada por biópsia, que é indicada quando há alguma alteração no ou no toque retal. Os testes são prescritos somente a partir da suspeita por um médico especialista.
Fatores genéticos e sociais em conjunto
Segundo o cirurgião oncológico Jayme Nobre, coordenador nacional da Comissão de Tumores Genito-urinários da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), fatores genéticos e biológicos também contribuem para a maior expressão da doença em homens negros.
“As evidências de que a doença em si é diferente são cada vez mais robustas, consequência, provavelmente, de uma genética de grupos ancestrais que foi compartilhada. Homens pretos com câncer de próstata apresentam um mais alterações metabólicas e maior sinalização inflamatória, o que torna a doença mais grave”, explica o médico.
A genética, no entanto, não é o único fator. A desigualdade no acesso à saúde afeta o diagnóstico precoce. “Infelizmente, a população negra chega com a doença em estágios mais avançados”, diz o oncologista Cleydson Santos, do Hospital Mater Dei Salvador.
Impacto da desigualdade no Brasil
Essa diferença é percebida na prática clínica. Cleydson aponta que Salvador — cidade com alta proporção de população negra — registra muitos desses casos. “Especialmente nos atendimentos do setor público a gente percebe que os homens negros têm uma incidência mais alta da doença e também uma maior agressividade dela”, afirma o médico.
“Para completar essa dificuldade de acesso também ao serviço de saúde, normalmente a população negra chega com a doença em estágios mais avançados. Então, mais uma vez, para além da questão genética, essa questão social é extremamente relevante”, completa Cleydson.
Nobre também relata que o predomínio de pacientes negros com câncer de próstata é mais evidente nos atendimentos que faz no Sistema Único de Saúde (SUS). “No atendimento de pacientes da saúde suplementar e privada há clara limitação de acesso desta população, principalmente por aspectos socioeconômicos em nosso país. Por isso a diferença não se nota”, completa o representante da SBCO.
Prevenção e diagnóstico precoce
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima mais de 70 mil novos por ano no Brasil. Destes, uma parcela expressiva ocorre em homens negros, mas a ausência de dados oficiais dificulta o dimensionamento exato da desigualdade.
Como em todo câncer, a prevenção é sempre a melhor arma. Os médicos recomendam que homens busquem manter uma alimentação balanceada, pratiquem exercícios físicos e evitem o tabagismo para reduzir o risco de doenças. que o risco de ter câncer de próstata cai 35% com a prática regular de exercícios.
Além disso, o rastreamento ativo deve começar aos 50 anos. No caso de homens com histórico familiar de doença, a recomendação é iniciar os exames aos 45 ou até 40 anos, para aumentar as chances de detecção precoce e melhor resultado com o tratamento.
um exame de sangue que avalia proteínas relacionadas ao tumor.
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