AGRICULTURA

Gripe aviária e supersafra devem afetar os preços do milho no curto-prazo

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Os Estados Unidos devem produzir 401,85 milhões de toneladas de milho na próxima safra, de acordo com o Departamento de Agricultura norte-americano (USDA), com exportações previstas em 72,8 milhões de toneladas.

O órgão estimou que a colheita brasileira será de 131 milhões de toneladas, com embarques de 43 milhões de toneladas.

No país norte-americano, as expectativas são positivas: a semeadura já atingiu 62% da área, índice acima da média histórica. O USDA ainda reportou que 28% das lavouras já haviam germinado, gerando ótimas expectativas de desenvolvimento diante do clima favorável.

Quanto aos preços, o milho encerrou a semana cotado a US$ 4,43 por bushel na Bolsa de Chicago, com queda expressiva de 0,45% ante o período anterior.

No Brasil, na B3, o contrato do cereal para julho de 2025 também recuou, fechando a R$ 62,05 por saca (-3,33%). No mercado físico, por sua vez, as cotações seguiram em queda, pressionadas pela fraqueza nos mercados futuros.

O que esperar do mercado do milho?

Análise da plataforma Grão Direto destaca pontos de atenção ao mercado do milho nesta semana. Confira:

  • Impactos da gripe aviária: a confirmação do primeiro caso de gripe aviária em uma granja comercial no Brasil levou à suspensão temporária das exportações de carne de frango para mercados importantes, como China, União Europeia, Argentina, México, Chile e Uruguai, sendo que a China bloqueou as compras por 60 dias. Estima-se que até 20% dos embarques mensais brasileiros sejam impactados nesse período. Como a cadeia avícola é uma grande consumidora de milho para ração, a redução nas vendas ao exterior e na produção de aves deve diminuir a demanda pelo cereal, pressionando para baixo os preços de frango e ovos no curto prazo. Caso a doença seja controlada e o embargo dure cerca de dois meses, o impacto tende a ser temporário e pontual. Porém, se a gripe aviária se disseminar, os efeitos podem ser mais severos e duradouros, prejudicando os produtores.
  • Safra norte-americana: até 11 de maio, 62% da área de milho nos EUA estava plantada, avanço de 22 pontos percentuais em uma semana, ficando 15 pontos à frente do ano passado e 6 pontos acima da média dos últimos cinco anos, com destaque para Iowa (76%), Nebraska e Minnesota (acima de 73%). Cerca de 30% da área ainda enfrenta seca, especialmente no centro-norte do Corn Belt (cinturão do milho), apesar de chuvas recentes que melhoraram algumas regiões. A previsão indica chuvas contínuas no cinturão, beneficiando áreas secas, mas podendo atrasar o plantio em Missouri, Illinois e Indiana, com temperaturas abaixo da média e risco de geadas pontuais no norte, sem previsão de danos generalizados.
  • EUA x China x Brasil: o mercado internacional de milho promete continuar agitado nos próximos meses, com destaque para a relação entre Estados Unidos, China e Brasil. Segundo o USDA, os norte-americanos venderam 2,75 milhões de toneladas métricas de milho para a safra 2025/26, o maior volume registrado para esta época em três anos. Esse número se destaca especialmente pela ausência de compras significativas da China até o momento, país que, historicamente, representa uma parcela importante das exportações do país. A situação se complica ainda mais com o Brasil, cuja segunda safra de milho, fortemente voltada para exportação, deve crescer 11% nesta temporada, com a colheita ganhando ritmo nas próximas semanas.

De acordo com a Grão Direto, com a expectativa de uma supersafra no Brasil e a possível redução na demanda por milho, causada pela desaceleração nas exportações devido à detecção da gripe aviária, a tendência é de queda nos preços do grão amarelo.



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