POLÍTICA
PJC: morte de Renato Nery foi resultado de “plano sofisticado” feito em 90 dias
Investigações da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) apontam que os suspeitos de envolvimento na execução do advogado e ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), Renato Nery – ocorrida em julho de 2024 – planejaram o crime com cerca de 90 dias de antecedência.
O delegado de Polícia Civil Bruno Abreu Magalhães, que atua à frente do caso, chegou a comparar a execução de Nery com a do também advogado Roberto Zampieri – assassinado a tiros em dezembro de 2023. Segundo Bruno, Antônio Gomes, executor de Zampieri, “foi lá de cara limpa, deu o nome na portaria, e foi preso um dia depois”.
Montagem: PJC/Reprodução

“Já esse caso [Renato Nery] foi mais sofisticado, mais complexo, pela forma de execução, por toda a trajetória de 30 quilômetros que ele [o executor Alex Roberto de Queiroz Silva] fez após a morte (…). Pela experiência que eu tenho, em um crime desse de mando, você coloca aí em torno de 30 a 90 dias antes [para planejamento] do crime”, apontou Bruno Abreu, destacando o fato de que o executor do crime teria permanecido com o capacete na cabeça, cobrindo o rosto durante toda a ação.
As investigações revelaram ainda um encontro, no dia 17 de abril de 2024, entre o 3º sargento da Força Tática, Heron Teixeira Pena Vieira – indiciado por homicídio qualificado pela promessa de recompensa e recurso que impossibilitou a defesa da vítima – e o policial militar Jackson Pereira Barbosa – preso por suspeita de intermediação no homicídio de Renato Nery.
Segundo o delegado Caio Albuquerque, que também acompanha o caso, a conversa entre os militares aconteceu em Primavera do Leste (a 243 km de Cuiabá), logo após Heron arrendar uma chácara, dando início ao planejamento do crime.
“Ele [Heron] foi a pessoa que recebeu a proposta de morte, ele que foi a pessoa que recebeu o valor, no caso como o doutor Bruno disse aqui, apontado na cifra de R$ 200 mil para matar o advogado. Ele é a pessoa que repassa a missão, a ordem para o caseiro. Mas ele também é a pessoa que está ligado à arma do crime, que recebe essa arma e que depois devolve essa arma”, destacou Caio.
Prisões
Até o momento, 10 pessoas foram presas suspeitas de envolvimento no caso, sendo elas:
- O caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva (suposto atirador);
- 3º Sargento PM Heron Teixeira Pena Vieira (suposto intermediador);
- PM Jackson Pereira Barbosa (suposto intermediador);
- Cesar Jorge Sechi (empresário e suposto mandante);
- Julinere Goulart Bastos (empresária e suposta mandante);
- PM Ícaro Nathan Ferreira (suposto intermediador);
- PM Alessandro Medeiros Ramos (suposto intermediador);
- PM Wekcerlley Benevides de Oliveira (suposto intermediador);
- PM Leandro Cardoso (suposto intermediador);
- PM Jorge Rodrigo Martins (suposto intermediador)
O crime
Renato Nery foi morto a tiros no dia 5 de julho de 2024, na porta de seu escritório, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. O advogado chegou a ser socorrido e foi submetido a uma cirurgia, porém não resistiu aos ferimentos e morreu.
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